Gerente do São Paulo diz que Daniel Alves foi um dos mais compreensivos com ajustes em pagamentos


Daniel Alves, dono da maior remuneração do elenco do São Paulo, foi um dos atletas mais compreensivos com as medidas tomadas pelo clube para reduzir o impacto da pandemia da COVID-19. Quem diz isso é o gerente-executivo de futebol do clube, Alexandre Pássaro.

Além de ter 50% dos salários suspensos, como todos os companheiros, Daniel aceitou renegociar a parcela de direitos de imagem que receberia em abril - o clube não divulgou qual foi o resultado desta renegociação. Ao contrário da maioria dos colegas, ele não recebe direitos de imagem mensalmente, mas semestralmente.

- Na reunião lá do começo, em que a gente chamou os líderes, o Daniel foi um dos mais efusivos no sentido de "não teria outro caminho, é super compreensível, etc e tal". Sobre a questão dos bônus, o Daniel também tem sido muito compreensivo e a gente também tem feito um esforço muito grande para honrar isso com o menor desgaste, o menor atraso possível - disse Pássaro, à Rádio Transamérica.



- Quase todos os jogadores do São Paulo recebem direito de imagem mês a mês. O Daniel acumula e a gente paga semestralmente. Quando ele chegou a gente já estava com o orçamento bem apertado, com pouca margem, e isso foi combinado com ele. Tem dois jeitos de você acumular pagamentos: ou você paga e espera seis meses ou você espera seis meses e paga no fim. E essa segunda proposta foi a que a gente fez para ele. E ele com muita boa vontade aceitou. A gente tem feito esforço para honrar e estar em dia com ele, porque isso foi combinado. Esse pagamento se refere ao período daqui para trás, não daqui para a frente. O Daniel tem sido muito compreensivo com tudo isso que a gente está vivendo por motivos alheios à nossa vontade, ninguém sabia que a gente ia perder rendas, premiações, patrocinadores jogando pagamentos para daqui 90 dias... Isso não foi incompetência, foi algo inesperado que aconteceu - emendou o dirigente.

Uma outra particularidade do "projeto Daniel Alves" é a possibilidade de conseguir parte do dinheiro necessário para pagá-lo com parceiros que explorem a imagem dele. Por enquanto, apenas um contrato deste tipo foi fechado, com a DAZN. Pássaro diz que as conversas estavam andando bem antes da pandemia e acredita que ainda seja possível encontrar muitas empresas interessadas em se associar ao São Paulo e ao atleta.

- Tem uma empresa especializada que a gente contratou e o próprio marketing do São Paulo trabalhando nisso. A gente também quer projetos que façam sentido com o nosso. Tem muitos tipos de projetos que apareceram, projetos curtos, projetos que o Daniel também não aceitaria fazer porque não tinha muito a ver com ele. A gente tem tentado projetos que vão pelo menos até a Copa de 2022. Tínhamos reuniões praticamente semanais para fazer esse tipo de parceria, porém as coisas acabaram dando uma pausada grande agora. Essa parceria pode ser assinada até o último dia de contrato dele. Não é porque conseguimos um parceiro nos primeiros nove meses de contrato do Daniel que nos próximos nove nós vamos conseguir só mais um e nos outros nove só mais outro. Tem um tempo de amadurecimento, o Daniel Alves no ano passado também não tinha aparecido como jogador do jeito que está aparecendo esse ano. Eu, se fosse presidente de uma empresa, esperaria um pouquinho também para entender como a imagem dele se situaria nesta volta para poder apostar ou não - disse ele, antes de dizer que não acredita na chance de perder atletas por falta de pagamento:

- Não tem nenhuma sinalização neste sentido. Juridicamente eu realmente não acredito, e nem acreditaria que alguém tentaria uma liberação na Justiça, não vejo ninguém do nosso elenco pensando nisso. E negocialmente, caso a gente não consiga pagar alguém, acho que teremos outras ferramentas, outros esforços antes de pensar em liberar o jogador porque ficou caro demais. É uma coisa que não está no nosso radar neste momento.