Gerson, do Flamengo, se pronuncia após depoimento: 'Dar força para que outras pessoas possam falar'

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Foto: Reprodução/Flamengo

O meia Gerson, do Flamengo, prestou depoimento nesta terça-feira, na Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (DECRADI). Um inquérito da Polícia Civil apura as denúncias do jogador, que acusa o meia Ramírez, do Bahia, de injúria racial. Ao lado do vice-presidente jurídico do clube, Rodrigo Dunshee, o jogador comentou a ocasião, em vídeo divulgado pelo clube.

— Estou aqui na delegacia, vim falar sobre o ocorrido. Quero deixar bem claro que não vim só para falar por mim. Vim para falar por minha filha, que é negra, meus sobrinhos, que são negros. Meu pai, minha mãe, amigos também, e por todos os negros do mundo sobre o fato que aconteceu. Hoje, graças a Deus, eu tenho um estado de jogador de futebol, onde eu tenho voz ativa para poder falar e dar força para que outras pessoas que sofrem racismo ou outros tipos de preconceito possam falar também — disse o jogador.

O dirigente do Flamengo também comentou o caso, e o entregou às mãos da Justiça. Em seguimento ao inquérito, outras partes envolvidas no caso devem ser convocadas a depor nos próximos dias.

— O Flamengo está aqui, junto do Gerson, como está sempre junto de todos atletas, para apoiar nesse momento. O Gerson cumpriu seu papel de cidadão, apresentou a representação e agora a questão está entregeu à Justiça. A gente espera que a justiça seja feita.

O Flamengo venceu o Bahia por 4 a 3, no último domingo, pela 26ª rodada do Campeonato Brasileiro, mas as polêmicas aconteceram após Gerson deixar o gramado reclamando de uma injúria racial do atleta colombiano Juan Pablo Ramirez, do Bahia. O vice-presidente jurídico do Flamengo, Rodrigo Dunshee de Abranches, afirmou que o clube irá ao Superior Tribunal de Justiça (STJD) contra o atleta e ao técnico Mano Menezes.

"Além de apoiar o Gerson na esfera criminal, o Flamengo representará ao STJD contra o atleta que ofendeu racialmete o Gerson, assim como o fará contra o Mano Menezes, que apoiou a ofensa racial e chamou de malandragem. Temos que banir o racismo da nossa sociedade", escreveu Dunshee.

Após a partida, o volante Gerson deixou o gramado reclamando de uma injúria racial do atleta colombiano Ramirez, do Bahia.

— Quero falar uma coisa: tenho muitos jogos como profissional e nunca vim falar nada porque nunca sofri esse preconceito. Quando tomamos um gol, o Bruno Henrique ia chutar uma bola, o Ramirez reclamou e fui falar com ele, que disse: "Cala a boca, negro" — declarou Gerson.

O fato ocorreu aos 7 minutos do segundo tempo, quando o Flamengo vencia por 2 a 1. Nas imagens, é possível ver Gerson inconformado e tirando satisfação com o atleta colombiano. Na hora, o volante do Flamengo contestou os atletas do Bahia sobre a declaração afirmando que "foi chamado de negro".

— O Mano até falou "Ah, agora você é vítima, não é? O Daniel Alves te atropelou e você não falou nada. Claro, porque teve respeito entre eu e ele. Eu nunca falei de treinador, mas o Mano tem que saber respeitar. Estou vindo falar aqui por mim e por todos os negros do Brasil — reclamou Gerson.