'Bolsonaro errou e se omitiu na pandemia', diz Renan, apontado como relator da CPI

Paulo Cappelli
·3 minuto de leitura

BRASÍLIA — Com a ressalva de que ainda não foi formalmente escolhido relator da CPI da Pandemia, o senador Renan Calheiros (MDB-AL), apontado como favorito para o posto, afirmou ao GLOBO que o presidente Jair Bolsonaro "errou" e se "omitiu" na condução da pandemia e ressaltou que a comissão poderá pedir a quebra de sigilo telefônico dos investigados. Renan destaca, no entanto, que a crítica ao governo é uma avaliação dele próprio e que o trabalho da CPI será técnico e apartidário.

Qual a sua avaliação do governo do presidente Jair Bolsonaro no enfrentamento à pandemia?

Minha opinião é que a gestão do Bolsonaro foi terrível no enfrentamento à pandemia. Ele complicou tudo. Complicou porque errou, se omitiu e minimizou a doença. Prescreveu remédios sem comprovação científica, estimulou aglomeração, não usou máscara. Priorizou o tratamento preventivo. É um somatório. Estamos pagando esse preço em mortes. Mas isso é só uma avaliação pessoal. Defendo uma CPI técnica, que arregimetnte boas cabeças da Polícia Federal, do MPF e do TCU. Defenderei uma investigação rigorosamente técnica, sem partidarismo, sem alvos pré-determinados.

Qual o papel da CPI? Que instrumentos pretende usar?

O papel da CPI é sugerir uma revisão dos procedimentos para amenizar o horro que estamos vivendo no país. A CPI tem poderes constitucionais para investigar. E a partir daí convocar pessoas, fazer oitivas, acesso a informações, quebrar sigilos telefônicos, todos os sigilos. Temos livro que sistematiza todas as decisoes de CPI tomadas pelo STF. Ressalto que não fui escolhido relator. Isso só vai se definir mesmo quando a CPI for instalada. Fico feliz em integrar o grupo e colaborar com o trabalho da comissão. Não priorizo relatoria.

Randolfe Rodrigues (Rede-AP) disse a a CPI deverá apontar consquências penais. A CPI deverá indicar se houve crime de responsabilidade?

Se tem crime de responsabilidade por ação ou omissão, essas coisas que nos cobram no dia a dia, não há como responder se não pela CPI.

Após a determinação do STF de o Senado instalar a CPI, Bolsonaro afirmou que estava esperando uma "sinalização" da população para agir. Como vê esse tipo de declaração. Acarreta em algum impacto para a CPI?

É o estilo de ameaças repetidas. Essas não intimidam mais ninguém. Há consciência geral em relação à complexidade que vivemos no país. E há consciência de que todos têm que fazer sua parte e cumprir seu papel. De modo que essas ameaças e intimidações não vão atemorizar a CPI. A CPI é importante, composta por bons quadros da política nacional, pessoas com experiências em outras áreas. E que vão se dedicar totalmente à investigação.

Como avalia a gestão Pazuello?

Pazuello foi muito mal, muito mal. Com todo o respeito, estou há muito tempo em Brasília e nunca convivi com um ministro tão medíocre quanto Pazuello. Espero estar enganado. A CPI é uma oportunidade para que eu me convença ou não disso.

Como avalia a gestão de Teich?

Acho que é um técnico bem sucedido, mas logo viu que não dava para seguir os caminhos da ciência, que estava sendo torpedeada pela crença e pela ideologia de alguns no governo.

Como avalia a gestão de Mandetta?

Esse sim era um bom ministro. Equilibrado, sensato, linha excelente relação com o Congresso Nacional. Ele teria condições de ter evitado muitas mortes no BRasil. Se não tivesse saído, teria evitado