Gestão Castro acumula 3 das 5 operações policiais mais letais do Rio de Janeiro

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - A gestão do governador Cláudio Castro (PL) já é responsável por três das cinco operações policiais mais letais da história da Região Metropolitana do Rio de Janeiro.

A 5ª mais letal foi a ação desta quinta-feira (21) no Complexo do Alemão, na zona norte da capital, que resultou na morte de 17 pessoas. Nesta sexta (22), mais uma mulher foi baleada na favela e morreu.

Desde que Castro assumiu interinamente, ao fim de agosto de 2020, já ocorreram 75 operações policiais com ao menos três mortos. Nestas ações, 331 pessoas morreram.

O levantamento foi produzido a pedido da reportagem pelo Geni (Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos) da UFF (Universidade Federal Fluminense). O grupo considera como chacinas as operações que resultam na morte de três pessoas ou mais.

Antecessor de Castro, que foi seu vice, Wilson Witzel assumiu em janeiro de 2019 com a promessa de dar "tiro na cabecinha" de criminosos que portassem fuzil. Em sua gestão o Geni contabilizou 104 chacinas, com 904 mortos.

No governo Castro, que busca a reeleição com o apoio do presidente Jair Bolsonaro (PL), as operações são mais letais do que na gestão anterior.

Foram registradas 692 mortes nas 1.703 operações que ocorreram no atual governo --uma razão de 0,41 mortos por ação.

Já na gestão Witzel, foram 904 mortes em 2.531 operações, o equivalente a 0,36 mortos por ação.

A base de dados do Geni é alimentada com notícias da imprensa. Para a produção deste relatório, o grupo comparou os números de sua base com os referentes às mortes por intervenção de agentes do Estado, disponibilizados pelo ISP (Instituto de Segurança Pública).

Tentando garantir a permanência no Palácio Guanabara, Castro tem adotado um discurso duro em defesa das forças policiais. Ele busca superar as desconfianças de grupos bolsonaristas que não o enxergam como um político de direita, totalmente alinhado ao presidente.

Nas redes sociais, o governador mais uma vez utilizou a operação desta quinta-feira para se contrapor a seu maior adversário nas eleições, o deputado federal Marcelo Freixo (PSB), a quem chama de "defensor de bandido".

"Foi Freixo, seu partido e aliados que proibiram nossas polícias de enfrentar esses bandidos em determinadas áreas. O resultado está aí: bandidos mais seguros e fortemente armados. Mas comigo não tem essa. Polícia se faz com inteligência, investimento, força e boa remuneração", escreveu.

A operação mais letal do Rio ocorreu em maio de 2021, na favela do Jacarezinho, zona norte da capital, com a morte de 28 pessoas. A segunda foi na Vila Cruzeiro, também na zona norte, em maio deste ano, com 23 mortos.

Entre as 15 operações com mais mortos, 6 ocorreram no Complexo do Alemão, um dos maiores redutos do Comando Vermelho.

A operação desta quinta-feira resultou na morte de 17 pessoas. Segundo a polícia, 15 eram criminosos e morreram em confronto.

A Polícia Civil chegou a confirmar que 18 pessoas haviam morrido, mas corrigiu a informação na tarde desta sexta.

Segundo a corporação, um dos suspeitos, identificado como Roberto de Souza Quimer, foi contabilizado incorretamente como morto. Ele sobreviveu e foi preso em flagrante.

Entre os 15 suspeitos mortos, 10 foram identificados. Oito tinham anotações criminais, alega a polícia.

Os 10 são: Anderson Luiz Bezerra Fonseca; Bruno Luiz Soares da Silva; Bruno Neves Leal; Diego Barbosa da Silva; Emerson de Souza Teixeira; Fernando Nascimento da Silva; Gabriel Farias da Silva; Luiz Cláudio Rozendo Lopes Júnior; Marcos Paulo Nascimento da Silva e Wellington Moura da Silva Júnior.

O processo de identificação dos demais ainda está em andamento no IML (Instituto Médico-Legal) nesta sexta.

Na operação morreram ainda um policial militar e uma mulher que passava por uma das vias de acesso ao complexo.

O cabo Bruno de Paula Costa, 38, foi baleado enquanto estava trabalhando, em um ataque à base da UPP Nova Brasília. Ele ingressou na polícia em 2014, era casado e deixa dois filhos com diagnóstico de transtorno do espectro autista.

A mulher baleada na quinta-feira foi identificada como Leticia Marinho, 50. Ela foi atingida por um tiro enquanto passava de carro com o namorado pela avenida Itaoca, um dos principais acessos ao Alemão. Ela era pastora, deixa três filhos e duas netas.

Na manhã desta sexta, mais uma mulher foi baleada e morreu. Solange Mendes da Silva foi levada para o Hospital Estadual Getúlio Vargas, mas não resistiu. Segundo a polícia, a vítima foi encontrada ferida depois de um ataque a uma das bases da UPP Nova Brasília por criminosos.

Participaram da ação 400 policiais do Bope (Batalhão de Operações Policiais Especiais), da Polícia Militar, e da Core (Coordenadoria de Recursos Especiais), da Polícia Civil. Também foram utilizados dez blindados e quatro helicópteros.

Segundo a polícia, durante a operação foram apreendidos uma metralhadora .50 (arma de guerra utilizada para tentar derrubar os helicópteros das forças de segurança), quatro fuzis, duas pistolas, nove carregadores de fuzil, 56 artefatos explosivos e grande quantidade de drogas.

Em entrevista ao Bom Dia Rio, da TV Globo, o porta-voz da Polícia Militar do Rio de Janeiro, tenente-coronel Ivan Blaz, afirmou que a troca de tiros no Alemão foi tão intensa que a munição do Bope acabou em duas horas.

"Ontem por volta das 7h30 a munição já havia sido totalmente consumida dada a intensidade do confronto armado. Eu estou falando de uma ordem de grandeza de centenas de fuzis naquela região", disse.

OPERAÇÕES MAIS LETAIS NA REGIÃO METROPOLITANA DO RJ

1. Favela do Jacarezinho, 28 mortos, maio de 2021

2. Vila Cruzeiro, 23 mortos, maio de 2022

3. Vila Operária (Duque de Caxias), 23 mortos, janeiro de 1998

4. Complexo do Alemão, 19 mortos, junho de 2007

5. Complexo do Alemão, 17 mortos, julho de 2022

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