Gestão Doria anuncia fase de transição, reabre comércio e permite cultos em SP

ARTUR RODRIGUES
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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O governo João Doria (PSDB) anunciou nesta sexta-feira (16) a criação de uma fase de transição, com a reabertura do comércio e permissão de cultos religiosos a partir de domingo (18) no estado de São Paulo. "A fase de transição é para que a gente possa dar passos seguros adiante sem o risco de retrocedermos", disse Rodrigo Garcia (DEM). Segundo Garcia, a partir do dia 24, a abertura passará a valer para o setor de serviços, incluindo restaurantes, salões de beleza e academias. O anúncio foi feito em entrevista coletiva no Palácio dos Bandeirantes, na zona oeste de São Paulo, sem a presença do governador João Doria (PSDB). "Teremos duas semanas à frente da fase de transição. A primeira semana fazendo flexibilização para o setor do comércio e a segunda agregando o setor de serviços", disse Garcia. O vice-governador afirma que no atual cenário o governo procura "com muita segurança, se é que é possível, dar passos adiante". Haverá restrições, no entanto, para os setores econômicos. O comércio reabrirá das 11h às 19h. A partir do dia 24, restaurantes, salões de beleza e atividades culturais poderão funcionar neste mesmo horário. Já as academias poderão funcionar das 7h às 11h e das 15h às 19h. Nesta segunda semana da fase de transição, parques também poderão funcionar. Bares só poderão funcionar com oferta de alimentos, na função de restaurante. A abertura dos estabelecimentos deve acontecer com até 25% da capacidade. Continua havendo o toque de recolher das 20h às 5h, teletrabalho para atividades administrativas e escalonamento de entrada e saída de atividade de comércio, serviços e indústrias. A equipe de saúde citou a melhora nos dados de ocupação hospitalar, e a secretária de Desenvolvimento Econômico, Patrícia Ellen, chamou de "voto de confiança" para que os setores iniciem a retomada. Segundo ela, a fase de transição é "fruto desse debate da ciências, da saúde, econômica, de da ciência humana, social, trazendo este olhar". Questionada sobre as similaridades da fase de transição e a laranja, Ellen afirmou que a fase de transição mantém muitos pontos da fase vermelha. Segundo ela, uma das principais é o toque de recolher, que não existe na fase laranja. Outro pontos que ela destacou foi o teletrabalho para atividades administrativas não essenciais e escalonamento de horários de trabalho. "A ocupação na fase laranja é de 40%, na fase de transição é de 25%", disse. Paulo Menezes, coordenador do centro de contingência, afirmou que a pandemia está num nível elevado, embora tenha havido avanços. "A fase laranja é mais permissiva, mais flexibilizada, do que as medidas que foram anunciadas. O centro de contingência entende que, no mundo ideal, seria sempre bom o maior nível possível de restrição e de redução de mobilidade", disse. "Se fosse possível, idealmente nos trancarmos dentro de casa por três, quatro semanas, teríamos um cenário de praticamente interrupção viral. Mas nós vivemos no mundo real, o centro de contingência compreende isso e entende que as medidas apontadas pelo governo permitem com que alguns setores e parte da população que estão sendo extremamente afetadas possam ter alguma chance de conseguir caminhar mantendo um alto nível de isolamento", continuou Menezes. João Gabbardo, também do centro de contingência, afirmou que algumas regiões poderiam evoluir para a fase laranja se o período emergencial não fosse adotado. "O governo entendeu que essa passagem para a fase laranja tinha um risco maior. Optou-se por fazer essa fase de transição e que todo o estado continua com uma uniformidade de recomendações, o que facilita o controle, facilita para que as pessoas não saiam de uma região para buscar um serviço que está aberto em outra região". O secretário da Saúde, Jean Gorinchteyn, citou a redução de internados. "Nossa taxa de ocupação no estado de São Paulo em 85,3% e na Grande São Paulo 83,3%. Esses números eram de quase 93% há poucos dias, mostrando que tanto a fase vermelha quanto a fase emergencial foram fundamentais para que nós pudéssemos garantir a assistência e proteção à vida", disse. As internações caíram 10% na semana, disse o governo. O governo falou sobre a escassez do kit intubação no estado, tema no qual a gestão Doria trava um duelo com o governo federal, após envio de nove ofícios pedindo os insumos. Em março, o estado recebeu 552 mil doses de medicamentos que duraram quatro dias. "A programação nesse novo quantitativo dos 2,3 milhões que virão dessa compra que foi feita pela Vale e outras companhias São Paulo terá um quantitativo de 440 mil doses, o que dará apenas para 48 horas" disse o secretário. "Mas nós já estamos há 40 dias falando que temos estoques para sete dias. E não tivemos problemas nesse estoque, porque continuamos adquirindo pequenas quantidades de um fornecedor, de outro fornecedor e dessa forma fazendo o realocamento dessas medicações para todos os municípios." Regiane de Paula, coordenadora de imunização do estado, reafirmou que São Paulo depende do envio de vacinas da Fiocruz pelo governo federal. A faixa da população a partir de 60 anos só será vacinada no prazo se os envios forem feitos. "Precisa ressaltar que aguardamos as vacinas da Fiocruz. Programa Nacional de Imunização precisa nos enviar as vacinas da Fiocruz para que a gente possa manter esse calendário. Então nós já recebemos vacinas, estamos encaminhando as vacinas e olhamos sempre para que isso sempre aconteça de forma escalonada", disse. * FASE DE TRANSIÇÃO 18 a 23 de abril - reabertura de comércios (11h às 19h) e permissão de cultos 24 a 30 de abril - reabertura de serviços, restaurantes, salões de beleza (11h às 19h) e academias das 7h às 11h e das 15h às 19h)