Gestão Doria cobra de prefeitos cumprimento a restrições e ameaça retaliar desobedientes

ARTUR RODRIGUES
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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Em encontro virtual com os 645 prefeitos eleitos para o mandato 2021-2024, a gestão João Doria (PSDB) falou sobre uma segunda onda de coronavírus no estado e no mundo, cobrou obediência de prefeitos a restrições sanitárias e disse que irresponsáveis vão para o fim da fila em atendimentos. O governador afirmou que o ano será difícil, uma vez que o estado vive uma segunda onda, assim como o Brasil e muitos outros países do mundo. "Setecentas pessoas morrem todo dia [no país]. São quatro aviões lotados todos os dias". Doria também fez cobranças aos prefeitos após algumas cidades desobedecerem as regras de restrições. "Alguns poucos prefeitos e prefeitas não agiram como deveriam. Foram poucos, mas nós esperamos que essas exceções não mais aconteçam", disse Doria. "Não é cabível no estado de São Paulo termos poucas exceções, menos de 20, que não seguiram [as regras]". O secretário de Desenvolvimento Regional, Marco Vinholi, afirmou que haverá consequências aos que não cumprirem as determinações do Plano SP. "Vamos priorizar aqueles que seguem o Plano SP. Aqueles que forem irresponsáveis irão para o fim da fila nos atendimentos nesse momento, de forma muito clara e transparente", disse Marco Vinholi, secretário de Desenvolvimento Regional, sem especificar exatamente quais seriam os atendimentos. "Se não tiver cumprindo as regras fundamentais de saúde e da vida, notificamos, encaminhamos para o Ministério Público", disse. Após a declaração, a assessoria do governo enviou uma nota afirmando que Vinholi "esclarece que o Governo de São Paulo irá priorizar o diálogo com prefeituras dispostas a realizarem ações conjuntas de combate à disseminação do coronavírus". "Contudo, está sempre à disposição para debater políticas públicas com todos os 645 prefeituras do estado", diz a nota. Em dezembro, o governo notificou cerca de 20 cidades que não obedeceram a determinação que colocou o estado em fase vermelha, a qual permite abertura apenas de comércios essenciais e proíbe o funcionamento de bares e restaurantes. Presente no evento, o secretário da Fazenda Henrique Meirelles apresentou dados mostrando que o estado já recuperou o crescimento após a pandemia. Para este ano, projetou crescimento de 5% no estado, enquanto a previsão para o país é de 3,4%. Ele ressaltou o papel da vacinação no cenário econômico. "A vacinação é a melhor política de geração de emprego", disse. Doria também rebateu Bolsonaro sobre a questão da economia. "São Paulo não quebra e São Paulo tem solução. Ao contrario de um cidadão que declarou que o Brasil está quebrado e não tem solução. Aqui tem", disse. De acordo com o secretário de Saúde, Jean Gorinchteyn, está mantido o cronograma para vacinar 9 milhões de pessoas entre os dias 25 de janeiro e 28 de março, um período de nove semanas. Nessa primeira fase serão vacinadas as pessoas com mais de 60 anos, indígenas, quilombolas e trabalhadores da saúde. Segundo o secretário, todas as pessoas receberão duas doses, com intervalo de 21 dias. Na terceira e última fase de testes, foram usadas duas doses com intervalo de 14 dias. A hipótese de postergar a segunda injeção do imunizante começou a ser discutida no Centro de Contingência do Coronavírus, órgão criado em fevereiro do ano passado e que reúne 20 especialistas do setor público e privado. A ideia não passou pelo Butantan e não configura nenhuma decisão ainda. Gorinchteyn não apresentou os dados finais de eficácia da vacina e citou números já divulgados anteriormente, como a capacidade da vacina de produzir resposta imune em 97% dos casos, conforme publicação científica. DICAS O governador apresentou um decálogo "do bom administrador" aos prefeitos recém-eleitos, com frases como "pense grande", "não perca a humildade" e "comemore suas vitórias". No evento, o secretário de Planejamento do tucano, Mauro Ricardo, deu uma séries de dicas financeiras e políticas aos prefeitos, incluindo a de fazer um ajuste fiscal no primeiro ano. "É extremamente importante que o ajuste seja feito no início de governo, para que o capital político absorvido ao longo da campanha seja consumido no primeiro ano de governo, no ajuste fiscal, para que esse capital se duplique, triplique ou quadriplique nos anos seguintes", disse Ricardo, conhecidos por esse tipo de ajuste em governos e um dos responsáveis pela polêmica reforma administrativa de Doria.