Gestão Doria sinaliza, mas não aplica novas restrições em SP

ARTUR RODRIGUES
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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Após sinalizar que poderia haver novas restrições no estado, o governo de São Paulo, gestão João Doria (PSDB), afirmou nesta quarta-feira (17) que o índice de isolamento está aumentando e não anunciou endurecimento das regras no estado. Questionado sobre o assunto em coletiva no Palácio dos Bandeirantes, com base nas próprias declarações, Doria disse que a imprensa não pauta as ações que serão tomadas. "Eu não disse que certamente, eu disse que eventualmente essas medidas adicionais poderiam ser adotadas. Eu não disse seguramente. Nem cabe a mim fazer um anúncio dessa natureza, quem faz isso é o centro de contingência. Apenas reconheci que o estado é grave." O médico Paulo Menezes, do comitê de contingência, disse que, se forem necessárias novas medidas, elas serão tomadas. "Nós estamos no terceiro dia de fase emergencial. É lógico que nós queremos que a situação melhore imediatamente, mas isso não ocorre. Semana passada já foram tomadas medidas muito firmes e que impactam na vida da grande maioria da população de São Paulo". João Gabbardo, também do centro de contingência, disse que os dados mostram que "estamos conseguindo aumentar o distanciamento físico das pessoas, que é o ponto mais significativo para que se possa diminuir a transmissibilidade da doença". O governo disse que houve melhora no índice de isolamento, que subiu nos últimos dias, chegando a 44% --na segunda, foi de 43%, um ponto a mais que na semana anterior. O número de passageiros no metrô, CPTM, EMTU, entre outras empresas da rede, caiu de 10,5 milhões, em 11 de março, para 4 milhões, no dia 16. A queda é de 61%. "Estamos avançando, mas não é o suficiente. Precisamos melhorar esses índices", disse Menezes. Segundo ele, o objetivo era chegar a mais de 50% de isolamento. Mas que o estado está no terceiro dia das novas medidas, por isso ainda não é possível medir os seus efeitos. José Medina, outro membro do centro de contingência, diz que o lockdown é medida difícil de ser implementada e citou diferença das situações de países, e riscos de queda de cadeia de produção, instabilidade social e desabastecimento. "Quando fala em lockdown, parece fácil, parece vamos resolver tudo. Estamos tentando resolver com medidas que são restritivas, mas que não têm essa característica de fechar inteirinho o estado." Mais cedo, Doria indicou que diante dos números elevados de casos e mortes por Covid no estado, novas restrições poderiam ser adotadas. "São Paulo, com a orientação do Centro de Contingência da Covid, adotará novas medidas. Não tomamos decisões políticas ou individualizadas, estamos amparados na ciência. O quadro é gravíssimo em São Paulo e no Brasil, cada estado está heroicamente fazendo o que pode para preservar vidas." "Não hesitaremos em adotar todas as medidas que forem necessárias para proteger a população de São Paulo. A população precisa seguir as orientações dos médicos para se protegerem, ficarem em casa e respeitarem esse período da fase emergencial para que não tenhamos que adotar restrições mais duras se tivermos recrudescimento dos índices de infecção", disse Doria. Segundo o secretário da Saúde, Jean Gorinchteyn, o estado recebe 200 pedidos de internação em UTI por Covid por dia, e 63 cidades das 105 que têm UTI para pacientes do vírus já estão lotados. Na Grande São Paulo, a ocupação de leitos é de 90,6%. No estado, é de 89,9%. No total, são 10.756 pessoas em UTIs. "Esse é o momento mais crítico da pandemia que vivemos", disse. "Novas internações continuam crescendo de forma absolutamente rápida." Segundo projeções de um grupo de técnicos do governo de SP, todos os leitos de UTI no estado podem estar ocupados até a quinta-feira (18). Hoje o estado todo está na fase emergencial do Plano SP, que teve início na segunda-feira (15) e deve ir até o dia 30 de março. Mais dura que a etapa vermelha, a emergencial impõe toque de recolher das 20h às 5h, entre outras restrições. Segundo monitoramento do governo, a fase não foi suficiente para aumentar o índice de isolamento no estado. Na segunda (15), primeiro dia da nova etapa, o isolamento médio em SP ficou em 42% --mesmo nível da segunda anterior. Mas, segundo a CET, a média de trânsito em São Paulo nesta terça foi de 16 km de lentidão. Na terça da semana passada, quando o estado estava na fase vermelha, a média foi de 25 km. Já na terça anterior, na fase laranja, a média de lentidão de trânsito foi de 56 km.