Gestão de Salles no Meio Ambiente é marcada por controvérsias; confira

O Globo
·2 minuto de leitura

BRASÍLIA - O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, sobreviveu à primeira reforma ministerial do presidente Jair Bolsonaro, e até mesmo adversários não veem chance de ele ser substituído no curto prazo. Ao contrário do ex-chanceler Ernesto Araújo, que não resistiu à ofensiva de parlamentares, Salles, diante da pressão do Centrão, agiu para se blindar no posto. Fugiu das polêmicas nas redes sociais, fortaleceu seu apoio no Congresso — sobretudo com a bancada ruralista — e tratou de se reaproximar de militares do governo. Com uma gestão marcada por controvérsia, Salles tenta reconstruir a sua imagem dentro do governo.

Queimadas na Amazônia

Com recordes de desmatamento, o ministro defendeu que a solução contra atividades ilegais seria “monetizar” a Amazônia, ampliando brechas para atividades como garimpo e extração de madeira, duas das principais causas da derrubada da floresta. Em resposta à pressão internacional, Salles ainda cobrou o ator Leonardo DiCaprio que investisse na preservação da floresta. Em 2019, Bolsonaro havia acusado falsamente o ator de “tacar fogo” na Amazônia.

‘Boi bombeiro’ no Pantanal

Salles também atraiu críticas de ambientalistas e da comunidade internacional ao argumentar, em audiência no Senado para discutir as queimadas que devastaram o Pantanal no ano passado, que o aumento da criação de gado combateria o fogo, por levar a uma “redução de matéria orgânica” no bioma. Segundo especialistas, no entanto, o avanço dos incêndios nos últimos anos ocorreu em paralelo à expansão da fronteira agropecuária na região.

‘Passar a boiada’ durante a pandemia

Em reunião ministerial em abril de 2020, cuja gravação foi tornada pública, Salles recomendou ao presidente que aproveitasse o enfoque da imprensa e da sociedade civil na pandemia para “passar a boiada”, em suas palavras, modificando regulamentos e legislações ambientais que não necessitassem de aval do Congresso. Desde o início do governo, tanto Salles quanto Bolsonaro criticam o que avaliam como “excesso” de normas de proteção ambiental.

Atritos com os militares

Em outubro, Salles abriu uma crise com a ala militar ao chamar o então ministro da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos, de “Maria Fofoca” por supostos vazamentos à imprensa. Militares mostravam insatisfação com o ministro em temas como a Amazônia, hoje na alçada do vice-presidente Hamilton Mourão. Em setembro, Mourão havia criticado uma ameaça de Salles de paralisar o combate ao desmatamento, alegando falta de verbas.

Xingamento a Maia

Após ser criticado pelo então presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), pelo embate com Ramos, o ministro do Meio Ambiente voltou a causar polêmica nas redes sociais. Em uma postagem, referiu-se a Maia como “nhonho”, apelido pejorativo usado por bolsonaristas. Após a repercussão negativa, Salles apagou a postagem e alegou que “alguém se utilizou indevidamente” de sua conta no Twitter. Davi Alcolumbre (DEM-AP), à época presidente do Senado, também repreendeu Salles.