Gesto em ato golpista em SC não teve intenção de exaltar nazismo, diz Ministério Público

PORTO ALEGRE, RS (FOLHAPRESS) - Investigação preliminar de grupo coordenado pelo MP-SC (Ministério Público de Santa Catarina) considera que o gesto registrado em vídeo durante uma manifestação golpista em São Miguel do Oeste (SC) não foi feito com a intenção de fazer apologia ao nazismo.

Nas imagens, centenas de pessoas vestidas de verde e amarelo cantam o Hino Nacional com o braço direito estendido e a palma da mão para baixo, gesto similar à saudação do partido nazista.

O episódio foi investigado pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações), uma força-tarefa coordenada pelo MP-SC em conjunto com as diferentes polícias, servidores da Fazenda e bombeiros com a finalidade de identificar, prevenir e reprimir organizações criminosas.

Conforme nota divulgada nesta quinta-feira pelo MP-SC, o gesto realizado pelos manifestantes foi feito após eles serem conclamados pelo locutor do evento, um empresário local, a estenderem a mão sobre o ombro da pessoa da frente. Ou, se não houvesse, para que estendessem o braço, a fim de "emanar energias positivas". Para chegar a tal conclusão, o Gaeco teria identificado manifestantes, analisado imagens e conversado com testemunhas dos atos, incluindo policiais e repórteres.

Diz o texto: "em diligências, não restou evidenciada nenhuma ligação do referido locutor com nazismo, bem como foram identificadas imagens que os manifestantes por diversos momentos realizaram orações, inclusive se ajoelhando em frente ao quartel do Exército, trazendo verossimilhança à narrativa que não se tratava de gesto nazista".

A investigação também descartou a presença de bandeiras com símbolos nazistas na mesma manifestação. Conforme o Gaeco, imagens que circularam em redes sociais mostravam cenas que não eram do ato em São Miguel do Oeste.

O relatório produzido pelo grupo será encaminhado para a 40ª Promotoria de Justiça de Florianópolis, para o eventual aprofundamento das investigações.

Na quarta-feira (2), a Conib (Confederação Israelita do Brasil) pediu que as imagens fossem investigadas.

Segundo a entidade, em nota, "o nazismo prega e pratica a morte e a destruição". "A sociedade brasileira não pode tolerar posturas como essas". Acrescenta ainda que o uso das cores da bandeira desrespeita o passado das Forças Armadas, que combateram o nazismo na Europa durante a Segunda Guerra Mundial.