Gestora alemã é alvo de operação policial por 'greenwashing', e presidente renuncia

O presidente executivo da gestora alemã DWS, Asoka Wöhrmann, renunciou nesta quarta-feira, horas após o escritório da empresa, em Frankfurt, ter sido alvo de operação policial por acusações de greenwashing - quando a companhia divulga ações pró-meio ambiente, mas não as pratica.

Wöhrmann , que ocupava a presidência da gestora desde 2018, deixará o cargo em 10 de junho, dia seguinte à assembleia anual de acionistas. Ele será substituído por Stefan Hoops, atual líder da área corporativa do Deutsche Bank. O banco alemão detém 80% da DWS.

A operação policial ocorreu na terça-feira e envolveu cerca de 50 policiais e procuradores, que também estiveram no escritório do Deutsche Bank em Frankfurt. Ela faz parte de uma ampla investigação conduzida pelo órgão regulador financeiro alemão BaFin, iniciada no ano passado.

Empresa também é investigada nos EUA

A SEC, que regula o mercado de capitais americano, também investiga a gestora.

As investigações foram abertas com base em acusações do ex-diretor de sustentabilidade da DWS, Desiree Fixler. Ele alega que a empresa divulgou informações enganosas em seu relatório anual de 2020 sobre os investimentos realizados.

A DWS, diz, incluiu no documento que mais da metade dos US$ 900 bilhões em ativos foram investidos seguindo critérios ESG (sigla em inglês para meio ambiente, questões sociais e governança) e isso não corresponderia à realidade.

Mudança de critérios

A DWS nega que tenha feito qualquer coisa errada, mas mudou seus critérios ESG desde as revelações de Fixler. No relatório de 2021, publicado no mês passado, o volume de investimento que seguia os novos critérios havia sido reduzido para US$ 115 bilhões, de acordo com o jornal britânico Financial Times.

As ações da DWS chegaram a cair 8% na Bolsa de Frankfurt.

Em mensagem distribuída a funcionários hoje, Wöhrmann justificou sua renúncia:

"As alegações contra mim e a DWS nos últimos meses, incluindo ataques pessoais e ameaças, embora sem fundamento e indefensáveis, deixaram uma marca. Tem sido um fardo para a empresa e para mim. Por isso, com o coração apertado que concordei em renunciar".

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