Gestores querem diminuir intervalo para segunda dose de vacina contra Covid-19, mas Ministério da Saúde resiste

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BRASÍLIA e RIO — Com tendência de queda no número de mortes por Covid-19 há 11 dias, mas sob ameaça da variante Delta, já confirmada no Brasil, gestores defendem a redução do intervalo entre doses para acelerar a imunização e levar o país a um patamar seguro antes de outubro. O Ministério da Saúde, porém, afirmou ao GLOBO que por ora manterá o intervalo recomendado atualmente.

Em meio à terceira onda da pandemia, a vacinação é considerada a grande responsável pela redução nas mortes, mas o cenário ainda é de alerta, já que o Brasil não conseguiu controlar o contágio. A média móvel de óbitos caiu 21% nas últimas duas semanas, e a de casos, 35%. Ainda assim, o país registrou 1.595 mortes e 54.156 novos casos ontem, de acordo com dados do consórcio de imprensa do qual O GLOBO faz parte. De acordo com o Imperial College de Londres, a cada 100 pessoas infectadas no país, outras 91 contraem a doença.

— É no movimento do último trimestre (do ano) que vamos ter a cobertura com duas doses da população adulta. Por isso, o Plano Nacional de Imunização (PNI) deve avaliar antecipação para oito semanas da aplicação da segunda dose da vacina da AstraZeneca, que já possui ampla disponibilidade dentro do PNI e cujas doses, inclusive, já estão armazenadas pelo ministério e com envio programado — argumenta o vice-presidente do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), Nésio Fernandes.

Segundo ele, 12 semanas foi o intervalo adotado quando o país dispunha de poucas vacinas e precisava aumentar a cobertura de brasileiros com a primeira dose. Contudo, com o aumento da produção e do ritmo da imunização, é preciso rever a estratégia. Essa vacina é responsável por 46,7% das imunizações no país. Na opinião de secretários, também é preciso reavaliar o intervalo da vacina da Pfizer.

Ao GLOBO, no entanto, o Ministério da Saúde afirmou que a posição da Câmara Técnica Assessora em Imunizações, após reunião na última sexta, foi a de manutenção do intervalo. A pasta disse que “acompanha a evolução das diferentes variantes do Sars-CoV-2 no território nacional e está atenta à possibilidade de alteração. Ontem, o ministro Marcelo Queiroga relegou a decisão aos técnicos:

— Essas decisões não são tomadas pelo ministro, são tomadas pela câmara técnica de especialistas que apoiam o PNI, sempre visando o melhor resultado.

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