'Ghostbusters: Mais além': pai e filho, Jason e Ivan Reitman se unem para reviver franquia dos caça-fantasmas

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Se há algo estranho na vizinhança, pra quem você liga? A primeira vez que Jason Reitman ouviu a pergunta, no refrão da música de Ray Parker Jr., ele ainda não tinha 7 anos completos. E sabia a resposta (Ghostbusters!) na ponta da língua. Foi no mesmo set de “Os caça-fantasmas”, em 1983, que ele descobriu o que seu pai, Ivan, fazia da vida:

— Lembro claramente do prédio em Manhattan. E dos meus olhos arregalados quando os quatro atores [Bill Murray, Dan Aykroyd, Harold Ramis e Ernie Hudson] vestiram seus uniformes para salvar o mundo e a musa Dana Barrett [Sigourney Weaver]. Jamais vou me esquecer de todo aquele marshmallow caindo do céu. Mas o que me impressionou mais foi meu pai guiando a câmera lá no alto, como se voasse. Tive de redefinir a noção de “pai herói” depois daquilo — conta Jason, que depois dirigiria “Obrigado por fumar” (2005), “Juno” (2007) e “Amor sem escalas” (2009).

“Ghostbusters: mais além”, que chega aos cinemas hoje com direção de Reitman filho e produção de Reitman pai, busca mesclar a nostalgia pela franquia multimilionária — o original foi, à época, a comédia de maior bilheteria da História — com a promessa de que, em tempos bicudos, uma nova geração de caça-fantasmas estará ao alcance de um texto de WhatsApp para nos socorrer.

Embora as filmagens tenham ocorrido em 2019, não se está vendo fantasmas ao sentir um calafrio quando, no escurinho do cinema, olha-se para o lado e a plateia usa máscaras a uma distância razoável de sua poltrona, celebrando uma trupe de cientistas e nerds salvando novamente o planeta.

— A franquia sempre esteje do lado da ciência. Três dos caça-fantasmas originais eram cientistas. E, embora as histórias sejam sobre o desconhecido, o mágico, nossos fantasmas, elas se baseiam em uma imagem positiva da ciência. Os filmes são uma celebração da inteligência — aposta o diretor.

O novo filme também encerra a trilogia pensada por Ivan, que dirigiu o segundo longa, “Os caça-fantasmas II” (1989), mas jamais fez cenas de um próximo capítulo por conta da insatisfação de Bill Murray com os caminhos pensados para o politicamente incorreto Peter Venkman.

Em 2016, o reboot feminino de Paul Feig, sem relação direta com os originais, fracassou. A chiadeira foi tamanha que uma das protagonistas, Melissa McCarthy, desabafou que “se algum marmanjo acredita que, 35 anos depois, um filme arruinou sua infância, então não nos culpe, quem tem sérios problemas é você”.

Na tradição de Spielberg

Pois o culto nostálgico à infância oitentista, ainda que a história se passe nos dias de hoje na América profunda,é nítido em “Ghostbusters: mais além”. O espectador revisita na tela temas spielberguianos, como a família partida e a superação de traumas após a descoberta de um mundo fantástico ignorado pelos adultos.

Jason conta que duas imagens surgiram “do nada” em sua mente e serviram de guia para o filme, após a benção de Ivan: uma menina de 12 anos em uma fazendo com a mochila de próton (usada, justamente para caçar fantasmas), e um adolescente de 16 anos arrumando o Ecto-1 (o raro Cadillac 1959 dos heróis originais), em uma garagem vazia.

A morte de Harold Ramis (que faleceu em 2014, aos 69 anos), foi a peça final do quebra-cabeças: ele iria contar a história da família de Egon Spengler, papel de Ramis.

Com a ajuda de dois amigos, com os sugestivos apelidos de Podcast (Logan Kim) e Lucky (Celeste O’Connor), os netos de Egon, Phoebe e Trevor — papéis da ótima McKenna Grace e de Finn Wolfhard (o Mike da série “Stranger things”) — revisitam a mitologia fantasma para libertar sua mãe (Carrie Coon) e o geólogo amador vivido por Paul Rudd das forças do mal. E confiná-las nos quintos dos infernos.

Easter eggs não faltam. Além do icônico Ecto-1, há a volta do fantasma Geleia (com efeitos especiais de última geração), os minimarshmallows (os mais fofos seres jamais vistos de outra dimensão, só que não), participações especiais do elenco original. Há ainda uma surpresa pós-créditos, com Jason invertendo os papéis em uma das cenas-símbolo do original, adaptada, com as inteligências de Weaver e Murray, para tempos menos chauvinistas.

E, sim, não se iluda, 37 anos depois a música-tema ainda gruda feito chiclete Bubbaloo.

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