Petroleiro iraniano retido em Gibraltar zarpa após recusa a pedido dos EUA

O petroleiro iraniano "Grace 1" em Gibraltar

O petroleiro iraniano que estava no centro de uma crise diplomática e retido por seis semanas em Gibraltar zarpou neste domingo (18) depois que o enclave britânico no sul da Espanha rejeitou uma solicitação dos Estados Unidos para mantê-lo retido.

Segundo o site de acompanhamento do tráfego marítimo Marine Traffic, o petroleiro, retido em 4 de julho nas águas de Gibraltar, levantou âncora e navegava rumo ao sul. As autoridades do enclave britânico não confirmaram de imediato sua saída.

O "Grace 1" mudou de nome para "Adrian Darya" e trocou sua bandeira panamenha, com a qual estava navegando, pela iraniana, para seguir viagem.

As autoridades do "Rochedo", localizado no extremo sul da Espanha, rejeitaram em um comunicado o pedido feito com base nas sanções previstas por uma lei americana: "em virtude do direito europeu, Gibraltar não pode fornecer a assistência solicitada pelos Estados Unidos".

Esta é a segunda vez que o enclave britânico rejeita uma solicitação de colaboração americana nesta crise que envolve Washington, Teerã e Londres.

As autoridades de Gibraltar interceptaram em 4 de julho o navio-tanque "Grace 1", suspeitando de que ele estivesse transportando petróleo bruto para a Síria, um país atualmente sob embargo da UE.

Na última quinta-feira, o cargueiro foi autorizado a ir embora, depois de Teerã ter garantido que sua carga de 2,1 milhões de barris de petróleo bruto não será levada para a Síria.

Nesse meio-tempo, os Estados Unidos entraram com várias ações judiciais para que o navio-tanque fosse imobilizado, e o Departamento de Justiça emitiu uma ordem de confisco baseada nas sanções americanas contra o Irã.

Em nota, a Justiça de Gibraltar alegou que "o regime de sanções da União Europeia contra o Irã é muito menos abrangente do que o dos Estados Unidos".

Além disso, a norma europeia "proíbe especificamente a aplicação de certas leis dos EUA", como sanções ao Irã, acrescentou o comunicado.

Uma parte da tripulação, incluindo o capitão, foi substituída, já que os Estados Unidos ameaçaram recusar vistos para "membros da tripulação que navios que ajudem os Guardiães Revolucionários a transportar petróleo do Irã".

A captura do "Grace 1" gerou uma grave crise entre Londres e Teerã, que desmentiu que o navio tivesse a Síria como destino e reteve, por sua vez, quinze dias depois, um petroleiro britânico, o "Stena Impero", no estreito de Ormuz.

O Irã interceptou outros dois petroleiros, agravando a tensão em uma região onde várias embarcações foram atacadas ou danificadas por minas e onde um drone americano foi derrubado pelo Irã, enquanto Washington endurecia as sanções contra a República Islâmica.

Os Estados Unidos tentaram pela primeira vez em 15 de agosto persuadir Gibraltar a manter o petroleiro, enviando um pedido de assistência judicial quando fosse libertado.

Gibraltar explicou ter respondido aos EUA, naquele mesmo dia, que "era impossível atender à demanda" com base nas informações fornecidas por Washington.

Ao contrário dos Estados Unidos, a União Europeia não considera os Guardiães da Revolução uma organização terrorista e não aplica as mesmas sanções que Washington, completou a Justiça de Gibraltar.

Em 2018, o presidente americano, Donald Trump, retirou os Estados Unidos do acordo internacional sobre o programa nuclear iraniano, negociado por seu antecessor Barack Obama com Irã, França, Rússia, Grã-Bretanha, China e Alemanha.

Os europeus tentam convencer o Irã a continuar a respeitar o acordo, tentando limitar o impacto das sanções dos EUA contra todas as empresas que negociam com o Irã, independentemente de sua nacionalidade.