Gigogas aparecem na praia da Barra e cobrem faixa de areia; 90 toneladas da planta são removidas

Até a manhã deste sábado, 90 toneladas de gigogas foram removidas por equipes da Comlurb da praia da Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio. A força-tarefa começou na noite de ontem, com ajuda de 70 garis, após uma massa vegetal cobrir a faixa de areia. O serviço deve continuar caso novas plantas apareçam. Segundo o Instituto Estadual do Meio Ambiente (Inea), a ecobarreira instalada no Itanhangá, que impede que as plantas cheguem à praia, foi cortada na noite de ontem.

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— A questão das gigogas é recorrente no sistema lagunar de Jacarepaguá, e produto de 50 anos de falta de saneamento universalizado. Com a chuva, temos uma limpeza dos canais, rios e da lagoa. Essas gigogas, que são multiplicadas de forma desordenada na lagoa, são trazidas para o canal da Joatinga e para a praia da Barra. A ecobarreira do Itanhangá serve para impedir que cheguem até a praia — explica o biólogo Mario Moscatelli.

Ele afirma ainda que o material encontrado nas areias da Barra da Tijuca não representam nem metade do que foi visto na região da ecobarreira do Itanhangá, que fica na Lagoa da Tijuca:

— Ontem, passei de barco pela ecobarreira e tínhamos, aproximadamente, uns 30 mil metros quadrados da Lagoa da Tijuca com gigogas. Esse volume que chegou à praia é pequeno comparado ao que ainda está retido por lá — assegura.

O trabalho da Comlurb nas areias conta com o apoio de duas pás carregadeiras, quatro tratores de praia, cinco caminhões basculantes e um compactador. Segundo a Companhia, a Comlurb remove apenas as gigogas que chegam às praias, e não tem atribuição de limpeza na lagoa.

De acordo com o Inea, a ecobarreira foi restaurada na manhã deste sábado. O órgão afirma também que cerca de 200 metros cúbicos de resíduos retidos no local foram removidos.

As gigogas são plantas aquáticas nativas do sistema lagunar. O grande volume se deve ao fato de funcionar como um filtro, absorvendo nutrientes que estão disponíveis no esgoto que é despejado nas lagoas, o que faz com que se multipliquem de forma desordenada. Segundo Moscatelli, sua presença não é nociva, mas indica que o sistema não está em bom estado.