Gols no Flamengo, vida no exterior e sucesso pertinho de casa: alagoano Gilberto comemora o bom momento no Bahia

Gilberto comemora gol durante partida contra o Flamengo. (Foto: Will Vieira/Raw Image/Gazeta Press)

Por Rafael Brito e Josué Seixas

Foram três gols, uma vitória indiscutível do Bahia e uma tarde para o alagoano Gilberto lembrar por muito tempo. Gols que levantaram a Fonte Nova, diante do badalado Flamengo e com um tempero especial: contra o time que torce. O atacante não faz questão de esconder esse lado que vem da família desde a infância.

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E não foi nem a primeira vez que Gilberto marcou contra o Flamengo. Em 2015, quando estava no Vasco, também fez gol no clássico carioca. "Sou flamenguista. Meu pai é flamenguista, minha família quase toda é. Da família do meu pai, não tem quase ninguém que não seja. Minha mãe é separada do meu pai e ela gosta de dizer que é corintiana para provocar (risos). Em campo, a gente deixa isso de lado, da parte torcedor não interferir no profissionalismo. Tem que fazer o máximo, ter a vontade de vencer".

Gilberto nasceu em Piranhas, sertão de Alagoas, a 260 km de Maceió. Ainda assim, não chegou nem a começar a carreira no estado. O início mesmo foi em Sergipe, no Confiança. Apostou as fichas no futebol saindo de casa e indo ao estado vizinho. "Eu tinha família em Sergipe e fui para casa de um primo. Aí voltei com 15 dias, não estava aguentando de saudade. No ano seguinte, fui, fiquei em concentração e um tempo nos juniores, onde foram sete jogos e fiz cinco gols".

Quando saiu do Confiança, Gilberto mais uma vez tentou a sorte no futebol em um estado vizinho. Em casa, em Alagoas, até passou por um período de avaliação no CEO, clube do sertão, mas não ficou. "Acabei indo fazer um teste, mas o pessoal não quis", lembrou. O caminho estava traçado para ir a Pernambuco, onde a carreira começou a engrenar.

Em 2011, o ano foi especial para o atacante. O Santa Cruz voltou a ser campeão Pernambucano, e Gilberto foi um dos principais nomes da campanha. Após o estadual, ele fechou com o Internacional e passou a ser figura presente na Série A. "Pernambuco é como uma casa para mim porque é de lá que despontei no futebol. Foram quatro anos praticamente em Recife, em um período de aprendizado mesmo. Cheguei no Santa eu tinha 18 anos, fiquei bastante tempo e ainda passei pelo Sport e sempre me deu uma vontade de voltar a Pernambuco. Não como jogador, mas para morar, assim como minha família mora em Alagoas e eu gosto de voltar a Alagoas, voltar à minha cidade, onde tenho amigos".

A vida no futebol levou Gilberto a sair não apenas das fronteiras de Alagoas. Quando disputou a MLS, jogou no Chicago Fire e Toronto FC e morou nos Estados Unidos e Canadá. "Uma experiência de vida fora do normal, qualidade de vida muito acima da média. A cidade de Toronto é uma das melhores que vivi, assim como Chicago".

O outro país onde o atacante jogou foi na Turquia, no Yeni Malatyaspor. Um período diferente da atual fase positiva no Bahia. "Um momento mais difícil, mais de reflexão, de ver onde estava errando, das escolhas e aprendi bastante. Você faz uma escolha errada e depois tem que correr atrás para retomar aa carreira em um time de grande expressão, igual ao Bahia, tanto que demorou um tempo até encontrar uma proposta para voltar ao Brasil".

O retorno ao Brasil foi em julho do ano passado, após seis meses na Turquia. Agora, Gilberto curte o bom momento no Bahia. Os três gols no domingo consolidam a boa temporada do atacante. Já são 20 gols, em 36 partidas. Números positivos e, estatísticas à parte, existe o acolhimento no clube. A vibração na Fonte Nova lotada não esconde o calor que ele sente da torcida. "Eu estou em um clube que gosto, que amo, que me traz tantas coisas boas e que eu pretendo sempre honrar a camisa porque o tanto que eles me tratam bem aqui, eu fico muito entusiasmado, feliz".

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