Gilberto Gil fala do dueto com a neta Flor, da cura da filha Preta e diz: 'A única coisa que peço à vida é a boa morte

Maria Fortuna
Gilberto Gil passa a quarentena isolado na serra

Gilberto Gil está isolado há sete semanas na casa da família em Araras, no Rio. O compositor, de 77 anos, estava na Dinamarca quando a pandemia começou, em março. Encerraria por lá a turnê do disco, "Ok ok ok", mas o show foi cancelado. Voltou, então para o Rio, subiu a serra fluminense dois dias depois e de lá nunca mais saiu.

Como a casa é grande, ele e Flora, sua companheira há quase 40 anos, têm recebido filhos, genros e noras, dividindo as famílias em grupos separados. Flor, filha de Bela Gil, esteve por lá e protagonizou um momento fofo nesta quarentena: um dueto com avô cantando “Volare”. Dedicada a uma Itália assolada pelo coronavírus, a performance emocionou nas redes sociais.

Pela internet, ele também lança amanhã, junto com o BaianaSystem, o disco “Gil Baiana Ao Vivo Em Salvador”.

Registro do show que marcou um encontro de gerações, em novembro de 2019, o álbum mistura um repertório de clássicos de Gil (“Extra” e “Emoriô”) e do Baiana (“Água” e “Dia da Caça”).

— O BaianaSystem é a Bahia viva, né? É uma honra estar associado a um grupo contemporâneo dessa qualidade — diz o músico.

Nesta conversa por email, ele, que sempre refletiu sobre os mistérios que hão de pintar por aí em sua obra, conta que tem acompanhado de perto a "marcha devastadora da pandemia" pelo noticiário, além dos sites de ciência. Revela que, desde que a Covid-19 se espalhou, tem cantado a canção “Por um triz” ("sou feliz por um triz/ por um triz sou feliz/ mal escapo à fome/ mal escapo aos tiros/ mal escapo aos homens/ mal escapo ao vírus/ passam raspando/ tirando até meu verniz").

Fala também do dueto com a neta Flor, que emocionou as redes sociais cantando "Volare" ao lado do avô ("foi muito especial gravar com a Flor, também adorei cortar o cabelo do meu neto Dom"). E explica por que ficou tranquilo quando a filha Preta Gil contraiu Covid-19.

- A posição da medicina, que considerava a doença menos severa para os mais jovens, me dava confiança quanto à capacidade de ela se recuperar sem maiores problemas. Foi o que aconteceu. Agora ela vai mantendo o isolamento e se fortalecendo para voltar ao trabalho, quando for possível.

Leia a entrevista completa aqui.