Gilberto Gil: “Votem com senso de responsabilidade”, diz cantor em show na Suíça

  • Opa!
    Algo deu errado.
    Tente novamente mais tarde.
© Marcio Toledo, divulgação
Neste artigo:
  • Opa!
    Algo deu errado.
    Tente novamente mais tarde.

Pelo menos 5 mil pessoas estiveram no show do cantor e compositor Gilberto Gil que aconteceu em um parque em Genebra, na Suíça, e contou com a participação de quase toda a família dele, que o acompanha nessa turnê por oito países europeus. No palco, filhos e netos tocaram e cantaram com Gil os maiores sucessos do artista por mais de uma hora e meia.

Valéria Maniero, correspondente da RFI na Suíça

O público respondeu com muita animação, apesar do calor de mais de 35 graus que fazia na cidade, e chegou a se manifestar politicamente num determinado momento do show. Depois de ouvir gritos de “Fora, Bolsonaro”, Gil falou, em francês, que em outubro os brasileiros vão decidir sobre isso democraticamente, fazendo referência às eleições.

On a toute les conditions. On a besoin d’un changement très fort. Les brésiliens vont decider ça démocratiquement” (“Temos todas as condições. Precisamos de uma mudança muito forte. Os brasileiros vão decidir isso democraticamente”), disse o cantor.

Após os gritos de “Fora, Bolsonaro” vindos do público, que também disse isso durante a passagem de som, foi possível escutar em alguns lugares da plateia algumas vaias.

Antes de começar o show “Nós, a gente”, que foi gratuito e fez parte do festival “Música no Verão”, da cidade de Genebra, Gil falou com exclusividade à RFI Brasil, e deixou uma mensagem especial aos brasileiros:

“Que votem com o senso mais intenso de responsabilidade, de visão, de compreensão da cena brasileira toda, da história do Brasil com seus viéses, suas diferenças e a inserção do Brasil no mundo. Eu acho que com as grandes comunicações de hoje em dia e etc., já há condições de que mesmo setores muito populares, não é, que historicamente nunca tiveram antes oportunidade de compartilhamento mesmo das noções importantes sobre o Brasil, que eles têm agora com essas redes sociais e etc., com tudo isso, que eles votem em função de toda essa compreensão. A compreensão do que é o Brasil hoje, do que é o mundo hoje, e do que a gente precisa propriamente se livrar e aquilo que a gente precisa abraçar”, disse.

O palco como parque de diversões e escola

Gil também contou como está sendo essa turnê com a família toda pela Europa, que comemora em grande estilo os 80 anos completados no dia 26 de junho, data em que aconteceu o primeiro show.

“Do ponto de vista do show, é interessante a receptividade à presença da família quase toda no palco. É muito boa. Tem os músicos já profissionais, como Bem, José, Francisco, João, Flor, mesmo Flor que tem 13 anos, já vem também desenvolvendo um trabalho. E os outros pequenininhos ainda, usando o palco como uma espécie de playground, de parque de diversões e uma escola também. Meio uma escola meio um parque de diversão. Então, do ponto de vista da família, do ponto de vista da própria questão educacional nossa e tudo mais, é interessante. É uma oportunidade muito boa de avançar um pouco nesse processo educativo dos meninos. E o público tem recebido bem”.

Segundo ele, “o show é uma mescla de coisas já mais conhecidas na Europa, coisas que fizeram sucesso na França, na Inglaterra, na Alemanha, na Bélgica, nesses lugares todos alguns anos atrás, com coisas mais recentes”.

“Então, tem um equilíbrio. Tem os números dos meninos, tem os números da Preta, os números do Francisco, da Flor, da Nara, que é a minha filha mais velha. Está sendo interessante”, disse.

As altas temperaturas registradas nesse verão europeu chamaram a atenção do artista, que se apresenta até o final de julho em festivais pela Europa. “Eu já tinha encontrado situações de calor no verão da Europa, mas não como agora. Tenho a impressão de que nesses últimos anos o verão se intensificou aqui com a canicule (onda de calor)”.

Mas, segundo ele, “as outras coisas estão indo normais”, aproveitando para falar do que andou vendo por aí: “São os festivais, lugares bonitos, tem uma variedade. Você encontra cidades com aquele aspecto típico, cidades maiores com arquitetura tradicional, centros históricos importantes e tal. Você encontra lugares menores, mais pitorescos por aí”, conta.

Sonhos

Quando perguntei sobre a chegada aos 80 anos e os novos sonhos, o momento foi de descontração. Gil, que recentemente se tornou imortal ao entrar para a Academia Brasileira de Letras, falou sobre o sono e riu. “Sonhos, propriamente, os que eu tenho quando durmo. Esses são os mais interessantes. Porque os sonhos são a prova de que você dormiu, né? Quando eu sonho, eu fico satisfeito porque eu disse assim: eu dormi, que é a coisa mais importante do ponto de vista da restauração, do reestabelecimento das energias e tudo. Aos 80 anos, você precisa dormir razoavelmente. E eu não tenho o hábito de bom sono, durante a vida toda, eu tive problemas para dormir bem. Então, quando consigo dormir e sonhar, o sonho é a melhor coisa que existe”, disse.

Na conta oficial de Gil numa rede social, o artista postou: “Genebra ganhou o coração da família Gil. Merci bien a todo povo brasileiro, suíço e de todo o mundo que esteve no parque”. Também escreveu “show quente” e “sem palavras”, junto com imagens mostrando os filhos e netos se apresentando e o público empolgado cantando com eles.

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos