Giro da Saúde: Rússia, Delta Plus e lockdown; transplante de rim suíno em humano

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Outubro está chegando ao fim e tivemos uma semana com grandes inovações no ramo da saúde. E o Canaltech traz, todo domingo, um resumo dos principais destaques para você se informar, bem rapidinho, sobre tudo o que aconteceu nos últimos dias. Vamos a mais um Giro da Saúde!

Rússia, variante Delta Plus e a volta do lockdown

Imagem: Fusion Medical Animation/Unsplash
Imagem: Fusion Medical Animation/Unsplash

Em 1º de outubro, um relatório trouxe à tona a existência de uma sublinhagem da variante Delta, apelidada de Delta Plus. A cepa, que vem circulando no Reino Unido, agora está preocupando a Rússia, que inclusive deve colocar sua capital, Moscou, em lockdown nesta semana.

Para especialistas, essa pode ser uma variante mais contagiosa que a Delta. De acordo com o pesquisador Kamil Khafizov, por exemplo, a variante, cujo nome "oficial" é AY.4.2, pode ser cerca de 10% mais infecciosa do que a original, que levou a Rússia a bater recordes diários de casos e mortes. Entretanto, as vacinas parecem dar conta da nova cepa. "As vacinas são eficazes o suficiente contra essa versão do vírus, que não é tão diferente a ponto de mudar drasticamente a capacidade de se ligar a anticorpos", afirmou Khafizov em entrevista à Reuters.

Em Moscou, o lockdown deve durar dez dias. Isso porque especialistas projetam que, nos próximos dias, a Rússia vai atingir picos históricos nos casos da doença.

Paciente cega volta a enxergar graças a implante cerebral

Imagem: Victor Freitas/Unsplash
Imagem: Victor Freitas/Unsplash

Pesquisadores espanhóis conseguiram "devolver" a uma mulher de 57 anos o sentido da visão. Cega há mais de 16, a paciente conseguiu identificar formas, silhuetas, letras e objetos detectados por um implante apelidado de "retina artificial", que consiste de minúsculos eletrodos que penetram no cérebro. Dessa forma, o implante consegue estimular e monitorar a atividade elétrica das células cerebrais, ou neurônios, na região do córtex visual.

No entanto, os resultados, apesar de promissores, ainda são incipientes: os especialistas envolvidos no estudo ressaltam que ainda há muito caminho pela frente, e por isso, estão recrutando voluntários para aprimorar o implante, que tem apenas 4 mm de largura. Cada um dos minúsculos eletrodos tem 1,5 mm de comprimento.

Vacina em spray feita no Brasil entra com pedido na Anvisa para testes em humanos

Imagem: astrakanimages/envato
Imagem: astrakanimages/envato

Uma candidata 100% brasileira a vacina contra covid-19 está, neste momento, em avaliação pela Anvisa para dar início aos testes em humanos. Desenvolvida por especialistas do Instituto do Coração do Hospital das Clínicas (InCor), o imunizante mostrou bons resultados em animais.

A fórmula desenvolvida no Brasil, em vez de agulhas, usa a mucosa nasal para estimular o sistema imunológico. A vacina é composta por derivados do vírus (pequenos fragmentos de proteínas), encapsulados por nanopartículas. Quando o spray é borrifado nas narinas, a vacina estimula o organismo a produzir anticorpos contra o coronavírus. Se a Anvisa autorizar os testes em humanos, o InCor solicitará a participação de 280 voluntários para as fases 1 e 2 do estudo. Serão seis grupos recebendo diferentes dosagens e um recebendo apenas um placebo.

"O vírus entra no organismo pelo nariz infectando a mucosa. O nosso foco é criar uma vacina que atue diretamente no sistema respiratório, fortalecendo a resposta imune de toda essa região, de forma a evitar a cadeia de infecção do indivíduo, desenvolvimento da doença e transmissão para outras pessoas", explica Jorge Kalil, pesquisador chefe do estudo.

Atividade física é comprovada no combate à depressão

Imagem: LightFieldStudios/Envato Elements
Imagem: LightFieldStudios/Envato Elements

Uma nova pesquisa, publicada na revista Frontiers of Psychiatry, confirma que exercícios físicos são eficazes para combater depressão. Segundo o artigo, fazer alguma atividade física aumenta a neuroplasticidade das pessoas, que é a capacidade do cérebro de se remodelar em resposta às mudanças ambientais, mesmo mecanismo de ação dos medicamentos usados contra a doença.

Os pesquisadores estimularam eletricamente os nervos dos participantes para calcular o nível de neuroplasticidade, e perceberam que o grupo que se exercitou apresentou "índices de depressão" significativamente mais baixos do que o grupo que participou de atividades sedentárias. A conclusão que os pesquisadores tiram disso é que o exercício não é bom apenas para o corpo, mas também para o cérebro.

Cirurgiões testam rim de porco em paciente humano — com sucesso

Imagem: Kenneth Schipper Vera/ Unsplash
Imagem: Kenneth Schipper Vera/ Unsplash

Uma equipe de cirurgiões do NYU Langone Health, em Nova Iorque, conseguiu transplantar um rim de porco em um paciente humano, e o resultado foi um sucesso. Mas, para conseguir chegar a esse objetivo, os pesquisadores anexaram o rim do porco a um par de vasos sanguíneos fora do corpo de uma pessoa já falecida (morte cerebral) e observaram o funcionamento do órgão por dois dias. O rim conseguiu filtrar resíduos e produzir urina, e não foi rejeitado pelo organismo, por isso a operação foi considerada um sucesso. “O rim apresentou uma função absolutamente normal. Não houve essa rejeição imediata", apontam os pesquisadores.

Vale ressaltar que o transplante deu certo porque o rim veio de um porco editado geneticamente, já que, naturalmente, um carboidrato presente nas células suínas causa rejeição quando em contato com o organismo humano. Editando o animal, a equipe conseguiu remover esse carboidrato de suas células. Aliás, uma equipe de pesquisadores brasileiros também está no mesmo caminho, editando animais para estudar formas de transplantar seus rins para humanos.

O sucesso da cirurgia representa um novo horizonte no campo dos transplantes de rins, principalmente frente a um cenário de escassez de órgãos, bem como de doadores compatíveis. Ainda há, no entanto, muito caminho a percorrer até que se criem animais compatíveis e as cirurgias comecem a ser realizadas em pacientes vivos. No entanto, o feito é considerado uma grande inovação para a medicina.

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Fonte: Canaltech

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