Gleisi Hoffmann questiona terceira via para 2022: “O que vão falar que os diferencie de Bolsonaro?”

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A presidente nacional do PT, deputada Gleisi Hoffmann (Foto: REUTERS/Paulo Whitaker)
A presidente nacional do PT, deputada Gleisi Hoffmann (Foto: REUTERS/Paulo Whitaker)
  • Em entrevista ao Yahoo! Notícias, a presidente nacional do PT destacou: "Lula é o nosso candidato"

  • Gleisi Hoffmann questionou ainda qual será o programa do candidato de terceira via para o Brasil

  • A deputada falou também sobre os ataques de Ciro Gomes, o fim do Bolsa Família, entre outros temas

A presidente nacional do PT e deputada federal, Gleisi Hoffmann (PT-PR), afirma que entende e respeita que o ex-presidente Lula (PT) só queira decidir sobre a corrida eleitoral em 2022 - segundo o petista, ele só oficializará a candidatura no próximo ano. Ao mesmo tempo, Gleisi não esconde: “Lula é nosso candidato”, disse em entrevista exclusiva ao Yahoo! Notícias.

O petista aparece em primeiro nas pesquisas de intenção de voto. Ainda assim, o debate sobre uma possível “terceira via” está em pauta. Para a deputada federal, a pergunta principal que precisa ser feita diante da discussão sobre um terceiro candidato à Presidência da República, além de Lula e do atual presidente, Jair Bolsonaro (sem partido), é: "o que eles oferecem ao povo brasileiro?".

"O que eles vão falar para o povo brasileiro que os diferencie de Bolsonaro na questão econômica e social? Porque todas as reformas feitas de Temer pra cá, inclusive no governo Bolsonaro, foram apoiadas por essas lideranças que se pretendem uma alternativa da terceira via", destacou a parlamentar em entrevista ao Yahoo! Notícias.

Ao comentar sobre Ciro Gomes (PDT), possível candidato da chamada terceira via, Gleisi Hoffmann lamentou os ataques do pedetista contra Lula e também contra Dilma. “Isso mostra que Ciro não é centro esquerda. Ciro faz um jogo que a extrema-direita faz: da desconstrução e da mentira”, avaliou. Segundo a presidente do PT, não é o partido quem tem dificultado o diálogo. “Já mostramos isso por diversas vezes, mas ele não tem pré-disposição. Acho muito difícil um diálogo com Ciro Gomes. Muito difícil pela postura que ele assume e pelo que tem defendido". 

"Ele traz a esperança de recuperar o país", diz Gleisi sobre Lula

O ex-presidente Lula (Foto: REUTERS/Ueslei Marcelino)
O ex-presidente Lula (Foto: REUTERS/Ueslei Marcelino)

Na conversa, diversos assuntos foram abordados, como o atual governo do presidente Jair Bolsonaro, as eleições de 2022 e, quando questionada sobre a fala de Lula sobre decidir sua candidatura apenas no ano que vem, ela foi enfática em dizer que "ele traz a esperança de recuperar o país".

"Lula falou que só vai definir mesmo se é candidato no início do ano que vem, não agora. Obviamente que para nós do PT ele é o nosso candidato e eu diria que para uma parcela expressiva do povo brasileiro porque ele traz a esperança de recuperar o país", concluiu.

Gleisi Hoffmann citou a realidade atual do país como os altos preços dos combustíveis e os efeitos da inflação na renda dos brasileiros como um cenário que pode ser mudado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e também destacou a atual conjuntura para criticar alguns dos nomes já colocados como possíveis rivais do petista.

"Qual é o discurso social? O que eles falam para acabar com o desemprego? Mais reformas? Reformas que já não deram certo. É cortar o orçamento? Não investir? Mas se isso não acontecer, se não tiver investimento público, não é o privado que entra investindo em uma crise", concluiu.

O governo Bolsonaro e o fim do Bolsa Família

O presidente Jair Bolsonaro (Foto: REUTERS/Adriano Machado)
O presidente Jair Bolsonaro (Foto: REUTERS/Adriano Machado)

O presidente Jair Bolsonaro decidiu acabar com o programa Bolsa Família e ainda não conseguiu os meios legais e fiscais que garantam recursos no orçamento do governo para bancar a nova iniciativa social, o Auxílio Brasil.

No Congresso, foi instalada uma verdadeira corrida contra o tempo pelas lideranças governistas para que a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) dos Precatórios seja aprovada. O texto abre espaço para que o novo programa social seja financiado, mas enfrenta forte resistência na Câmara e no Senado.

Diante deste cenário, a presidente nacional do PT fez duras críticas. "O Bolsonaro é o governo da mentira. Ele prometeu fazer muitas coisas pelo Brasil, tirar o país da crise e não fez nada disso, pelo contrário, né? O país está numa crise sem precedentes. Um homem que detestava o Bolsa Família, dizia que o Bolsa Família era um programa para vagabundos e que agora, por uma questão eleitoral, acabou com o Bolsa Família e está criando um novo programa".

Questionada sobre o chamado “orçamento paralelo”, cujo corte poderia ser uma solução para financiar o Auxílio Brasil, Hoffmann classificou a medida como “uma vergonha para o parlamento”.

“É um absurdo. É um orçamento secreto que fica na mão do relator, para distribuir livremente para os deputados que votarem favoráveis ao que eles encaminham. E, enquanto isso, falta recurso para educação, falta recurso para o Bolsa Família, falta recurso para a saúde. Não podemos continuar com isso. Tinha que acabar. Cada deputado já tem a sua cota já faz a sua distribuição e são obrigatórias as emendas, né? Obrigatoriedade de execução. Então é uma vergonha para o Parlamento”, opinou.

Para a deputada, caberia ao Congresso Nacional “se dar ao respeito” e rever a situação que acontece hoje. “Nós estamos, sim, brigando muito lá dentro. Agora, na comissão de orçamento, vamos fazer esse debate. E um dos problemas da PEC dos Precatórios é essa porque a PEC traz um espaço para também colocar essas emendas de novo no orçamento de 2022, mais R$ 20 bilhões”, avaliou.

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