Glenn Greenwald chama Moro de corrupto e fraco: 'Tem este tamanhinho'

O jornalista deu uma palestra na 41ª Semana de Jornalismo da PUC-SP (Foto: AP Photo/Leo Correa)

RESUMO DA NOTÍCIA

  • O jornalista disse acreditar que o STF chegará à conclusão de que o ex-juiz federal é corrupto

  • Para o fundador do The Intercept, vazamentos serão cada vez mais importantes no jornalismo

“Tem este tamanhinho”, foi como Glenn Greenwald descreveu o ex-juiz Sergio Moro na última terça-feira (8), durante palestra na 41ª Semana de Jornalismo da PUC-SP. Para ilustrar, ele fez um sinal mínimo com o indicador e o polegar. Greenwald é o jornalista responsável pela divulgação das mensagens em que Moro combina com procuradores as ações da Operação Lava Jato.

O fundador do site The Intercept ressaltou que Moro tem sofrido derrotas sucessivas na tentativa de aprovação de seu principal projeto, o pacote anticrime. E afirmou que o Supremo Tribunal Federal vai chegar à conclusão de que o ministro da Justiça é corrupto e imparcial:

"Como advogado sei disso muito bem. Quando tem um juiz corrupto na primeira instância o processo é compromisso de todas as formas porque este juiz corrupto está decidindo quais evidências vão ser incluídas, quais testemunhas vão ser ouvidas. Então, o processo total e corrupto. O STF está concluindo isto agora."

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Glenn também relatou que, desde que fez a denúncia, está sendo seguido por agentes da Polícia Federal e da Abin (Agência Brasileira de Inteligência). E brincou dizendo “boa noite”, sugerindo que um agente federal podia estar na plateia. O jornalista criticou a atuação do Ministério Publico, dizendo que procuradores acessaram dados da Receita Federal e do Coaf. Ele não mencionou o episódio logo após o início dos vazamentos em que os dados bancários do marido dele, o deputado federal David Miranda (PSOL-RJ), foram divulgados pela imprensa.

Sobre o futuro do jornalismo, Glenn Greenwald afirmou que a tendência é que os grandes furos venham cada vez mais de vazamentos, já que hoje todas as informações sigilosas estão guardadas em meios digitais e, por isso, mais vulneráveis. Explicou que, quando começou a montar a equipe do The Intercept, não procurou jornalistas consagrados, e sim especialistas em tecnologia da informação.