Globo de Ouro: após boicotes, prêmio é entregue hoje com volta da transmissão pela TV nos EUA; veja apostas

Depois de um ano sem tapete vermelho, transmissão de TV e celebridades, o Globo de Ouro tenta recuperar a reputação e, agora em 2023, volta a ser transmitido nos EUA pela rede NBC. Hoje, é entregue a 80ª edição do prêmio em seu palco tradicional, o hotel Beverly Hilton, em Los Angeles, às 17h (21h no Brasil, onde a festa não terá transmissão).

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Em 2022, a cerimônia sofreu boicote quando a Associação de Imprensa Estrangeira de Hollywood, responsável pela cerimônia, sofreu acusações de favorecimentos e falta de diversidade. Membro da HFPA desde 1989, a jornalista brasileira Ana Maria Bahiana declarou ao GLOBO em 2022 que “a Associação é apedrejada desde que nasceu. Há uma espécie de guerra pela dominação da indústria, e sempre rolou atrito com os jornalistas estrangeiros. E lá estamos nós, falando vários idiomas e escrevendo para o mundo todo. Trazemos o olhar de fora, e os saberes dos nossos territórios. Somos porta-vozes entre Hollywood e o resto do mundo. Já passamos por várias ‘crises’, e esta não será a última”.

Desde fevereiro de 2021, o Globo de Ouro vem sendo alvo de críticas após reportagem do Los Angeles Times afirmar que não havia jurados negros entre os 87 membros da associação, grupo formado pela imprensa estrangeira. O jornal também apontou que 30 jurados haviam ganhado, em 2019, uma viagem de luxo para o set da série “Emily em Paris”, indicada posteriormente para duas estatuetas. Em abril, o ex-presidente da associação, Philip Berk, foi demitido após compartilhar por e-mail um artigo que se referia ao Black Lives Matter como “movimento de ódio racista”.

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Tom Cruise, que decidiu devolver as três estatuetas que recebeu na carreira, foi um dos que aderiram ao boicote.

A comissão anunciou que contrataria um diretor de diversidade para ajudar a incluir novos membros. O Globo de Ouro, que está em busca de se restabelecer como uma das cerimônias de premiação mais quentes de Hollywood, com potencial para influenciar o Oscar, convidou o comediante e vencedor do Emmy Jerrod Carmichael para apresentar a cerimônia. Além dele, estão confirmadas presenças dos indicados Ana de Armas, Jamie Lee Curtis e Niecy Nash-Betts, além de Billy Porter, Nicole Byer, Quentin Tarantino e Tracy Morgan.

Não são todos porém que concordam com o fim do boicote. Brendan Fraser, indicado a melhor ator por "A baleia", disse que não vai comparecer à festa. Ele acusou Philip Berk, ex-presidente e membro da Associação de Imprensa Estrangeira de Hollywood, de tê-lo apalpado e assediado durante um almoço no Beverly Hills Hotel, em 2003.

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Além disso, chamou a atenção o fato de que nenhuma mulher tenha aparecido no hall de melhores diretores, nem filmes dirigidos por mulheres tenha sido cogitado como melhor longa de comédia ou drama, a despeito produções bem cotadas na temporada, como "Women Talking", dirigido por Sarah Polley, e "Mulher rei", por Gina Prince-Bythewood.

Na frente

A produção cinematográfica com mais indicações ao Globo de Ouro é a comédia estrelada por Collin Farrell e Brendan Gleeson que se passa na guerra civil irlandesa, “Os Banshees de Inisherin”. São oito indicações, incluindo melhor roteiro, direção (Martin McDonagh) e filme de comédia. Na sequência, com seis indicações, vem “Tudo em todo lugar ao mesmo tempo”, dirigido por Dan Kwan e Daniel Scheinert e estrelado Michelle Yeoh, nascida na Malásia.

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Entre as séries, a líder, com cinco indicações, é a comédia “Abbot Elementary”. “Wandinha” é outra da lista. Cotados ainda para a estatueta estão “Top Gun: Maverick”, a melhor filme de drama, e Steven Spielberg, por “Os Fabelmans”. Na lista aparece também o recordista “Avatar: o caminho da água”. A noite incluirá tributos a Ryan Murphy, que ganhará o quarto prêmio, Carol Burnett, e Eddie Murphy, homenageado com o prêmio Cecil B. DeMille.