Globoplay lança documentário hoje sobre Gabriel Monteiro

A trajetória do ex-PM e youtuber Gabriel Monteiro até a sua cassação na Câmara Municipal e sua prisão será contada em quatro episódios no Globoplay, a partir de hoje. O documentário “Gabriel Monteiro — Herói Fake” vai exibir os relatos de quatro mulheres que registraram queixa de estupro em delegacias e entrevistas com ex-funcionários. A série mostra como o político usou as redes sociais não apenas para ganhar dinheiro com suas produções manipuladas, mas também criar uma imagem de benfeitor e moralista que não passava de uma ficção. Serão exibidos relatos com acusações de assédios sexual e moral, peculato e tortura.

— A história de Gabriel Monteiro mostra algo que se tornou perigoso: uma tendência de misturar política e redes sociais, em um discurso fácil, que não condiz com a realidade — diz Rafael Norton, um dos diretores do documentário.

A produção começa com imagens da sessão de 18 de agosto passado na Câmara Municipal em que Monteiro, do PL, foi cassado por 48 votos a dois. A partir dali, reconstrói a história do youtuber, que está preso desde novembro sob a acusação de estupro, com imagens inéditas. Pela primeira vez, uma das mulheres que o acusam de estupro concordou em contar a história dela, mostrando o rosto. A vítima teve um vídeo íntimo com Monteiro vazado na internet. Ela chegou a declarar à polícia que a gravação teria sido consentida, mas mudou a versão.

Os depoimentos de três mulheres prestados na 42ª DP (Recreio dos Bandeirantes) foram acompanhados pela produção do documentário. Uma das vítimas, que diz ter sido violentada por Monteiro em 2017, estava acompanhada da mãe. Imagens mostram apenas as mãos das duas entrelaçadas. Dias depois, essa mesma mulher, que teve que ser amparada pela mãe, se encontrou com outra vítima que até agora não teve coragem de denunciar o ex-PM.

— Essa é uma história não apenas de uma pessoa fria, que construiu um personagem pelas redes sociais. Mas a história de como algumas dessas mulheres se uniram e tiveram coragem de denunciar os abusos — diz Eliane Scardovelli, que divide a direção da produção.

Monteiro não deu entrevista para o documentário, mas ele tem negado todas as acusações.