Glocal Experience: voz e atitude de uma geração que sabe que o futuro é agora

Se a negligência com o planeta é um dilema que ultrapassa gerações, as saídas para reverter o problema encontraram na geração Z uma forte aliada. Eles sabem que a conversa tem que transbordar além do ativismo e se tornar ações do dia a dia, como as que ganharam destaque na Glocal Experience.

— Sempre se fala em legado, nas próximas gerações. Mas nós somos a próxima geração. A gente quer agora, somos capazes de fazer a diferença neste momento. É preciso responsabilizar a juventude —afirmou num dos debates a jovem liderança indígena Samela Sateré Mawé, de 25 anos, integrante do Fridays For Future Brasil. — É importante ver a presença da juventude negra e dos povos indígenas nesses debates — continuou ela, que na agenda internacional da militância indígena e ambiental participou de fóruns como a 26ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, a COP-26, ano passado em Glasgow, na Escócia.

Com esse ímpeto, foi do Fórum da Juventude, que reuniu mais de 600 jovens na Glocal, que saiu um dos documentos mais inspiradores do evento, a Carta da Juventude Rio 2030, uma espécie de manifesto sobre o que essa geração entende como medidas para as transformações necessárias, incluindo o reforço da conscientização socioambiental nas escolas para promoção da justiça climática e social.

— Precisamos ter mais voz nos espaços de educação ambiental e meio ambiente. Muitas vezes, falam por nós, mas não estamos inseridos. Precisamos de mais protagonismo jovem — ressaltou Ana Nathália Pessoa, de 24 anos, integrante do comitê organizador do Fórum da Juventude.

Em toda a Glocal, surgiram demonstrações de como as gerações do agora agem pela transformação, seja empreender socialmente, participando dos movimentos em defesa do meio ambiente ou usando suas habilidades para amplificar ideias, como faz Camila Red, de 24 anos, moradora da Região dos Lagos, vencedora da Batalha de MC’s que teve MV Bill como anfitrião.

— É obrigação de MC mandar um papo consciente. No meu caso, como um mulher lésbica, parte de uma cultura até hoje muito machista, é uma luta todo dia. Sou resistência. E uso minhas rimas para ampliar a voz de assuntos importantes. Tirei meu sonho da cama e estou vivendo ele — afirmou Camila.

Os jovens também formaram um dos principais públicos do evento, vindos de várias partes do estado do Rio. Uma audiência tão importante quando o assunto é o amanhã do planeta que a atriz Leandra Leal comandou um diálogo específico sobre o tema: “Clima e sociedade: o grito das juventudes”.

—O futuro é ancestral, e o ativismo climático está no nosso cotidiano. Nós temos que identificar como podemos estar mais perto da natureza. A gente se desconectou muito dela. Temos que nos reconectar e entender que fazemos parte dela — disse um dos palestrantes do diálogo, Marcelo Rocha, fundador e diretor executivo do Instituto Ayíka. — E isso é no cotidiano, pensar em como nosso arredor é afetado na hora de a gente comprar, comer... Você não precisa virar vegano. Mas pode reduzir o consumo de carne, por exemplo — propôs.

Fundadora da Ambientalking, Isvilaine Conceição, que também conversou com Leandro Leal, considera que essas mudanças são emergenciais.

— Não tem como atrasar esse diálogo. Não existe mais tempo para não ter justiça climática — disse ela, já apontando um caminho. — Temos que levar educação para todos os cantos que conseguirmos, principalmente aos mais afetados (pelas mudanças climáticas).

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