Gloria Pires diz que Lola de 'Éramos seis' fez com que ela fizesse um balanço da própria vida

Isabella Cardoso

O remake de “Éramos seis” estreou com a missão de dar uma nova roupagem ao drama de Lola (Gloria Pires), a matriarca da família Lemos, exibida pela quinta vez na televisão. Chegando ao fim hoje, o folhetim deixa um saldo positivo e perpetua o seu legado, após ter sido reprisado pela ultima vez há 25 anos. A autora Angela Chaves apresentou ao telespectador um universo já conhecido pelo público que acompanhou as outras versões, mas com boas atualizações. A principal mudança é o desfecho da sofrida protagonista, que, pela primeira vez, terá um final feliz.

— Essa novela para mim teve um desafio especial, de contar novamente uma história que fez parte da vida de tantas pessoas em épocas diferentes. É uma responsabilidade escrever em cima do texto de Silvio de Abreu e Rubens Ewald, o que fiz com muito critério. Mas, desde o início deste trabalho, a ideia era realmente dar a Lola um final mais feliz, um sopro de esperança — admite Angela.

No remake de 1994, Lola termina no asilo, mas o público torceu pela união dela com Afonso (Cássio Gabus Mendes), e até os dois atores se juntaram aos pedidos.

— Eu, como espectador, queria ter o prazer de vê-los juntos. É tudo muito delicado, suave... Esses dois personagens são uma poesia. Eles têm uma fragilidade, um romantismo muito bonito, não é? Esse clima deixa tudo mais forte ainda. O prazer é muito grande, o trabalho deu resultado — comemora Cássio.

Gloria também achou natural a mudança no desfecho de sua personagem:

— É possível ver na vida de Lola como ela foi se transformando, como as dificuldades que encontrou pelo caminho a fortaleceram. Ela teve ajuda dos filhos, é claro, mas também se dedicou bastante e fez sua parte para sobreviver. Hoje, vejo que Lola trouxe entendimentos sobre mim mesma, já que, com ela, pude fazer um balanço da minha própria trajetória — diz a veterana, que considerou uma homenagem aos seus 50 anos de carreira dar vida à protagonista da trama.

O segundo casamento de Lola não foi o único destaque da novela. As cenas da revolução de 1932 e a morte de Carlos (Danilo Mesquita) também movimentaram a trama. Veja os pontos altos e baixos.

Foi lindo ver as Lolas das duas últimas versões, Irene Ravache e Nicette Bruno, encontrarem a atual protagonista no asilo. Júlio em 1994, Othon Bastos veio na pele do padre Venâncio. Luciana Braga, que foi Isabel, contracenou com Giullia Buscacio. Marcos Caruso, que interpretou Virgulino, e Wagner Santisteban, que era Alfredo, também participaram.

Após enfrentar o calvário por amar um homem desquitado, Clotilde (Simone Spoladore) pode enfim ser feliz ao lado de Almeida (Ricardo Pereira). A trama fez o público sofrer junto, e os dois brilharam.

As cenas do núcleo de Itapetininga foram ótimas. Eduardo Sterblitch arrasou na sua estreia em novelas, e a parceria com Maria Eduarda de Carvalho foi nota 10.

“Éramos seis” se passou quase toda nos anos 30, mas mostrou mulheres com posicionamentos firmes e fez adaptações condizentes com a realidade do nosso tempo. Em algumas versões da história, Lola deixava de falar com Isabel após a filha ficar com Felício (Paulo Rocha).

Vale pontuar o final bonito de Durvalina (Virgínia Rosa), que reencontra o filho.

“Éramos seis” demorou a decolar. A primeira fase, marcada pelos conflitos entre os filhos pequenos de Lola, foi difícil de engrenar. Quando entrou nos anos 30, a novela avançou bastante.

Talentosa, Susana Vieira poderia ter sido mais aproveitada. Sua personagem, Emília, acabou mergulhada nos dramas das filhas, Justina (Julia Stockler) e Adelaide (Joana de Verona). A atriz poderia ter rendido uma trama densa.

Apesar de interpretar uma personagem carismática que conquistou o público, Carol Macedo acabou vivendo uma trama repetida. A enfermeira Inês engravidou em sua primeira noite de amor, assim como Clotilde.