Gol, Latam e Azul vão cortar salários de seus tripulantes

Glauce Cavalcante
Cabine de um avião praticamente sem passageiros Foto: Samuel Horstead / Via Reuters

As três grandes companhias aéreas que atuam no Brasil vão reduzir salário e jornada de seus tripulantes em meio à crise gerada pela pandemia do novo coronavírus. A proposta da Latam é de corte de 50%, enquanto a da Gol é escalonada entre abril e junho, avançando de 30% até 50%. Agora a Azul também vai propor redução de 15%, informou o presidente do Sindicato Nacional dos Aeronautas (SNA), Ondino Dutra.

Dutra comemora o fato de que, até aqui, não houve demissão de aeronautas. Ele demonstra preocupação, contudo, com o tamanho do corte no salário desses trabalhadores, que pode alcançar 80%:

- O Brasil só tem três grandes empresas. E, nesta crise, nem há a possibilidade de buscar reposicionamento no exterior. A categoria está aceitando o que é proposto porque teme ficar sem emprego. Mas, na prática, esses trabalhadores terão um corte de 70% a 80% em seus salários – diz ele. – É que parte da remuneração é variável. Como as empresas praticamente pararam, esse ganho já cai à metade. Ainda virá o corte do salário.

As três companhias abriram uma chamada de adesão voluntária a programas de licença não-remunerada, com duração de um a seis meses.

A Azul registra 7.500 adesões a essa modalidade, o que equivale a mais da metade de sua força de trabalho. Em paralelo, anunciou um corte de 50% na remuneração de seus diretores executivos e de 25% na dos gerentes.

As propostas de Latam e Gol a seus tripulantes foi aberta à votação da categoria, processo que se encerra nesta quinta-feira. Nos dois casos, as ações valem de abril a junho e para todos os aeronautas, com garantia do emprego durante a vigência do acordo, segundo informações do SNA.

No caso da Latam, a proposta é cortar remuneração fixa e jornada à metade, garantindo uma remuneração mínima de R$ 2 mil. Já a Gol propõe cortes escalonados. Em abril, a redução seria de 30%, subindo para 40% em maio até chegar a 50% em junho. A remuneração mínima seria de R$ 2.600.

Em paralelo, a Gol anunciou corte de 40% na remuneração de seus diretores, vice-presidente e presidente até junho. Para colaboradores internos e aeroviários, o corte é de 35% em jornada e salário.

Tanto Gol quanto Azul já divulgaram que vão adiar o pagamento de participação de lucros a seus funcionários.

As empresas se comprometeram com o governo em  manter em operação pelo menos um voo em todos os estados,  durante a crise.

- Na Gol, 500 dos 17 mil funcionários aderiram. Na Latam, dois mil dos 21 mil trabalhadores. Na Azul, mais da metade dos 14 mil. Ou seja, a Azul tirou quase 60% da folha de pagamento e, agora, vai reduzir o salário de quem ficou. É covardia - pondera o presidente do SNA.

A adesão ao programa da Azul, continua ele, é impulsionada pelo medo da perda do emprego, mas também pelo fato de que a companhia autorizou o saque dos depósitos da previdência privada de seus trabalhadores.

- A redução de salário da categoria é brutal. Há emendas propostas à Medida Provisória do trabalho sendo preparada pelo governo federal, pedindo para autorizar o saque das contas de FGTS dos aeronautas. Mas não foi tomada nenhuma decisão a respeito.

Procurada, a Azul respondeu que “está tomando medidas para conseguir atravessar esse momento difícil pelo qual a companhia e o mundo estão passando e preservar o emprego de todos os seus funcionários". 
Até a publicação desta reportagem, a Latam não havia comentado.