Golfe: Na delegação brasileira no LAAC, o caçula dos Grinberg carrega legado familiar

Igor Siqueira*
Guilherme Grinberg em ação no primeiro dia do LAAC

Os representantes brasileiros começaram nesta quinta-feira sua caminhada no Latin America Amateur Championship (LAAC), principal torneio amador de golfe das Américas (sem a participação de jogadores dos Estados Unidos).

O evento acontece em Mayakoba, região próxima a Cancun, no México. O melhor representante do Brasil no dia foi Guilherme Grinberg, justamente o caçula da delegação, com 16 anos. Ele completou o circuito de 18 buracos entre as seis melhores pontuações, com 73 tacadas (+2). O colombiano Iván Ramírez fechou na liderança (-3).

- Foi uma boa maneira de começar o torneio. Estava jogando tranquilo. Dei uma escorregadinha no final. Tenho mais três dias aí para fazer o meu jogo. É uma boa experiência. Eu sabia que o campo iria ser bem difícil o campo. Tentei manter a paciência. Tenho uma diferença de cinco tacadas. Até o final da competição dá para tirar - contou Guilherme.

O LAAC termina no domingo, e o Brasil conta com seis participantes. Os resultados dos outros jogadores do país foram mais tímidos: Lucas Park (24º), Andrey Xavier Borges (33º), Fred Biondi (70º), Matheus Park (84º) e Daniel Kenji (95º) tiveram problemas para encaixar o jogo em solo mexicano.

Guilherme começou muito bem, conseguindo um jogo sem percalços na primeira metade. As derrapadas vieram nos buracos 11, 15 e 16.

- Dava para eu ter conseguido um -3 também - avalia.

O golfe é parte integrante da família Grinberg. Lauren, a irmã dois anos mais velha que Guilherme, inicia em 2020 o terceiro ano na Barry University, em Miami, nos Estados Unidos. Antes de embarcar para lá, ela era atleta de topo do ranking amador feminino brasileiro.

Jairo, o patriarca dos Grinberg, repete com o rapaz o que já fez com a moça: acompanha todas as competições in loco. E no México não poderia ser diferente.

Guilherme começou a jogar com 3 anos de idade. Assim como a irmã, fez aulas no Lago Azul Golfe Clube, em São Paulo. A família aposta no golfe para, na pior das hipóteses, assegurar a formação acadêmica no exterior. Há contatos em curso com algumas universidades, mas a decisão será tomada mais adiante. Guilherme vai concluir o Ensino Médio em 2020 e os planos de mudança são para meados de 2021.

- Sempre tive a ideia de ir para os Estados Unidos. É a melhor maneira de eu ter uma boa carreira - conta Guilherme, que vê no pai "o maior incentivador".

Jogar no nível universitário nos EUA significa frequentar o ambiente mais qualificado do golfe amador. Lauren, por exemplo, atua numa faculdade considerada de segundo escalão - por não ter time de futebol americano -, mas é uma das principais no seu âmbito dentro do golfe.

Ano passado, Guilherme conquistou sete torneios que dão pontuação ao Ranking Mundial, mas ele ainda precisa subiu muitos degraus (é o 1130º o mundo). Quem vencer o LAAC terá um grande impulso dentro do golfe: vaga assegurada no 149º The Open, o campeonato mais antigo do mundo. A competição no México ainda leva ao torneio Masters. Em 2021, o LAAC será em Lima, no Peru.

*O repórter viaja a convite do LAAC