Golpista da USP: alunos sabiam que dinheiro estava indo para Alicia, diz empresa

Segundo empresa, comunicados eram enviados por e-mail e WhatsApp

Golpista da USP: Alicia deu golpe de quase R$ 1 milhão nos alunos - Foto: Lattes/Reprodução
Golpista da USP: Alicia deu golpe de quase R$ 1 milhão nos alunos - Foto: Lattes/Reprodução

Os alunos da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP) sabiam que o dinheiro arrecadado para a festa de formatura estava indo para Alicia Dudy Muller, golpista acusada de subtrair quase R$ 1 milhão de seus próprios colegas.

Quem garantiu a informação foi a empresa Ás Eventos, contratada pela comissão de formatura para auxiliar na elaboração do evento. Os alunos, porém, negam.

O que diz a empresa

Em contato com o portal UOL, a Ás explicou que foi contratada para arrecadar o dinheiro e fotografar a festa, ou seja, não tinha responsabilidade de organizar o evento.

"Todas as transferências para a presidente da comissão foram comunicadas à Comissão de Formatura por meio de relatório gerencial e mensagens enviadas via e-mails e grupo de WhatsApp reunindo a comissão e a Ás", garantiu.

Segundo a empresa, os formandos tinham duas responsabilidades estabelecidas em contrato:

  • Criação de uma associação para representá-los;

  • Abertura de conta bancária para pessoa jurídica;

Ainda de acordo com a Ás, no entanto, a associação "jamais foi criada", apesar da assinatura do documento ainda em agosto de 2019.

Posicionamento dos alunos

Também ao UOL, a comissão de formatura negou o que foi dito pela Ás. Segundo os alunos, o relatório especificado pela empresa foi enviado "apenas após a retirada de R$ 750 mil da conta", por solicitação de Alicia.

"O sistema disponibilizado pela empresa não apresenta, até o momento, nenhuma retirada e mostra todo valor como disponível", afirmam.

Sobre os avisos por WhatsApp, a comissão confirmou os envios, mas disse que Alicia "logo desconversou e começou a falar de outros assuntos, de maneira que ninguém (nem a própria investigada) deu aval para nenhuma transferência" pelo aplicativo.

Ainda de acordo com os alunos, a golpista realizou dois procedimentos que a ajudaram a realizar o golpe:

  • Alterar da senha do e-mail da comissão;

  • Colocar os dados de recuperação vinculados ao número de celular dela;

Novo posicionamento

Após a nota enviada ao UOL, a Ás Formatura contratou uma nova assessoria e enviou novo comunicado afirmando que as partes buscam "entendimento comum quanto aos próximos passos, ainda que tenham divergências quanto à interpretação contratual".

Aluna indiciada

Alicia foi indiciada por apropriação indébita após confessar, em depoimento à polícia, que usou parte do dinheiro da formatura de sua turma em benefício próprio.

Alicia prestou depoimento nesta quinta-feira (19), no 16º Distrito Policial, no bairro do Ipiranga, em São Paulo.

Inicialmente, Alicia responderá ao processo em liberdade, porém, um pedido de prisão preventiva pode ser feito nos próximos dias, informou o portal Metrópoles. A pena máxima prevista é de quatro anos de prisão.

Entenda o que aconteceu

  • A jovem confessou ter retirado cerca de R$ 937 mil da conta da comissão de formatura de sua turma, que era gerida por uma empresa.

  • A estudante fez, ao menos, nove saques do dinheiro que desviou da formatura de seu curso.

  • A jovem alegou que não estava contente com a forma como o dinheiro vinha sendo administrado. As aplicações, no entanto, não renderam o esperado por ela.

  • Alicia, a partir de então, passou a apostar o dinheiro em loteria, com uma tentativa de recuperar a quantia, como afirmou delegada Zuleyka Gonzalez Araújo.

“Ela continuou perdendo, desfalcando o dinheiro. Nessa angústia, no desespero de estar perdendo as quantias, ela não conseguiu parar de efetuar as apostas. Num determinado momento, começou a gastar com gastos pessoais”, disse Zuleyka.

Segundo as investigações, Alicia também gastou o dinheiro com aluguéis de um carro e um apartamento na Vila Mariana, na zona sul de São Paulo. Ela ainda comprou aparelhos eletrônicos, como um tablet de última geração.

110 estudantes prejudicados. No depoimento, a estudante disse que mentiu aos colegas quando disse que havia levado um golpe de uma financeira, para tentar justificar o sumiço do dinheiro.

A aluna disse também ter agido sozinha, mas a polícia vai apurar se há mais pessoas envolvidas no crime. A namorada dela e pessoas da empresa de formatura ainda serão ouvidas, assim como os membros da comissão. Dois colegas de Alicia já foram ouvidos.