Golpista da USP: Polícia apreende carro alugado com dinheiro desviado

Estudante confessou ter usado dinheiro da festa da turma para benefício próprio, com aluguel de carro e apartamento

Golpista da USP: Alicia Dudy Muller Veiga, aluna de Medicina, assumiu ter desviado cerca de R$ 1 milhão da festa de formatura. Parte do valor foi usado em benefício próprio para alugar carro e apartamento. (Foto: Reprodução)
Golpista da USP: Alicia Dudy Muller Veiga, aluna de Medicina, assumiu ter desviado cerca de R$ 1 milhão da festa de formatura. Parte do valor foi usado em benefício próprio para alugar carro e apartamento. (Foto: Reprodução)
  • Aluna golpista que desviou dinheiro de festa de alunos da USP alugou carro e apartamento com valor arrecadado por turma;

  • Somente com o veículo, ela gastou R$ 20 mil em dez meses de aluguel;

  • Polícia ainda tenta levantar total usado pela estudante em benefício próprio.

Alicia Dudy Müller Veiga, estudante de medicina da USP que confessou ter desviado R$ 937 mil da formatura de mais de cem estudantes, usou parte do dinheiro para alugar um carro com mensalidade de R$ 2 mil. Ela usou o veículo por 10 meses, totalizando R$ 20 mil somente para o pagamento do automóvel.

O modelo escolhido pela golpista é um Volkswagen Nivus, avaliado em R$ 120 mil. Segundo informações do portal UOL, o carro foi apreendido na manhã desta terça-feira (24) pela Polícia Civil no apartamento também alugado por Alicia. O custeio do imóvel também teria sido realizado com o valor arrecadado pela turma para a realização de uma festa de formatura.

Após confessar ter se apropriado do dinheiro para uso próprio, a estudante foi indiciada por apropriação indébita.

Além do carro e do apartamento alugados, ela ainda comprou um celular e um iPad Pro, equipamento avaliado em R$ 6 mil.

O valor total utilizado pela aluna da USP ainda é desconhecido. Todavia, os custos mensais dela não são compatíveis com a renda obtida pela estudante, indica a investigação.

Segundo apuração do UOL, ela recebia valores de fontes diferentes, como R$ 1 mil para auxílio pesquisa e outros R$ 1,8 mil para o curso de doutorando, além de outras fontes de renda "de pequenos trabalhos".

Uma equipe do UOL foi ao apartamento alugado por Alicia, mas não obteve autorização para entrar no prédio. O imóvel localizado na Vila Mariana era alugado por R$ 3.700 (com condomínio incluso). Segundo a reportagem, o prédio é novo e de alto padrão, com porta giratória e apartamentos com varanda.

Formatura garantida

Depois da perda do dinheiro, a empresa Ás Eventos, contratada para arrecadar o dinheiro e tirar fotos da festa, vai propor arcar com os custos da formatura.

A informação foi repassada pelo chefe de gabinete do Procon-SP, Guilherme Farid. Segundo ele, o curso total do evento está orçado em torno de R$ 1,8 milhão.

A empresa aponta que os estudantes da Comissão de Formatura sabiam que Alicia estava retirando o dinheiro levantado por eles.

Aluna indiciada

Alicia foi indiciada por apropriação indébita após confessar, em depoimento à polícia, que usou parte do dinheiro da formatura de sua turma em benefício próprio.

Alicia prestou depoimento nesta quinta-feira (19), no 16º Distrito Policial, no bairro do Ipiranga, em São Paulo.

Inicialmente, Alicia responderá ao processo em liberdade, porém, um pedido de prisão preventiva pode ser feito nos próximos dias, informou o portal Metrópoles. A pena máxima prevista é de quatro anos de prisão.

Entenda o que aconteceu

  • A jovem confessou ter retirado cerca de R$ 937 mil da conta da comissão de formatura de sua turma, que era gerida por uma empresa.

  • A estudante fez ao menos nove saques do dinheiro que desviou da formatura de seu curso.

  • A jovem alegou que não estava contente com a forma como o dinheiro vinha sendo administrado. As aplicações, no entanto, não renderam o esperado por ela.

  • Alicia, a partir de então, passou a apostar o dinheiro em loteria, com uma tentativa de recuperar a quantia, como afirmou delegada Zuleyka Gonzalez Araújo.

“Ela continuou perdendo, desfalcando o dinheiro. Nessa angústia, no desespero de estar perdendo as quantias, ela não conseguiu parar de efetuar as apostas. Num determinado momento, começou a gastar com gastos pessoais”, disse Zuleyka.

Segundo as investigações, Alicia gastou o dinheiro com aluguéis de um carro e um apartamento na Vila Mariana, na zona sul de São Paulo. Ela ainda comprou aparelhos eletrônicos, como um tablet de última geração.

110 estudantes prejudicados. No depoimento, a estudante disse que mentiu aos colegas quando disse que havia levado um golpe de uma financeira, para tentar justificar o sumiço do dinheiro.

A aluna disse também ter agido sozinha, mas a polícia vai apurar se há mais pessoas envolvidas no crime. A namorada dela e pessoas da empresa de formatura ainda serão ouvidas, assim como os membros da comissão. Dois colegas de Alicia já foram ouvidos.

Para onde o dinheiro era transferido?

O dinheiro foi transferido para ao menos três contas pessoais de Alicia. O delegado disse que entrou com pedido de quebra de sigilo bancário para verificar todas as contas que ela possui no Brasil.

O que diz a empresa que organiza a formatura?

De acordo com a empresa Às Formatura, o presidente da comissão tinha permissão de movimentar o dinheiro. Os alunos da Faculdade de Medicina haviam elaborado um estatuto que previa que movimentações acima de R$ 10 mil precisariam da assinatura do presidente ou vice-presidente junto aos dois tesoureiros, mas o documento não foi formalizado em cartório, nem comunicado à empresa.

O que a acusada alega?

Alicia se defende das acusações afirmando que foi vítima de um golpe da corretora de investimentos Sentinel Bank.

  • O Sentinel Bank é uma corretora de investimentos, que prometia a seus clientes um retorno de 6,4% através de investimentos na bolsa de valores. No entanto, a empresa financeira acumula uma série de reclamações de seus clientes nos portais digitais, e está sob investigação da Polícia Federal.

Leia mais sobre o Sentinel Bank aqui.

Como ela utilizou o dinheiro?

A aluna da USP que deu um golpe de quase R$ 1 milhão nos colegas do curso de Medicina utilizou o dinheiro para fazer apostas em uma casa lotérica.

Foi o que apontou a investigação policial a respeito de apostas feitas e não pagas por Alicia Dudy Muller no ano passado.

Leia mais sobre a aplicação do dinheiro aqui.

Recebimento de Auxílio e golpe em lotérica

Além da suspeita de aplicar golpe em alunos de Medicina da USP, a estudante de medicina da Universidade de São Paulo Alicia Dudy Muller Veiga, de 25 anos, é alvo de um pedido de indenização por danos materiais de uma lotérica da Zona Sul de São Paulo.

Ela teria causado prejuízo de R$ 192,9 mil ao estabelecimento em apostas não pagas em 2022. Por conta disso, a polícia pediu a quebra do sigilo bancário da aluna.

Leia tudo sobre essas acusações aqui.