Golpista preso após enganar modelos em hotel de Copacabana vira réu por estelionato, furto e corrupção

O juiz Tiago Fernandes de Barros, substituto da 33ª Vara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio, aceitou a denúncia contra Matheus Rodrigues Azin, de 28 anos, pelos crimes de estelionato, furto e corrupção ativa. De acordo com o Ministério Público, o rapaz enganou uma modelo em um hotel cinco estrelas em Copacabana, na Zona Sul da cidade, lhe causando prejuízos financeiros de mais de R$ 13 mil. Ele está preso preventivamente na Cadeia Pública José Frederico Marques, em Benfica, na Zona Norte.

Segundo a denúncia do promotor Átila Pereira de Souza, a qual O GLOBO teve acesso, em 26 de novembro do ano passado, Matheus obteve vantagem ilícita de R$ 3.660 ao pedir dinheiro a vítima, já sem a intenção de devolver. Quatro dias depois, o rapaz é acusado também de efetuar pagamentos com o cartão dela em pelo menos três estabelecimentos, totalizando gastos no total de R$ 9.700.

Para o MP, Matheus, ao ser preso em flagrante, ainda chegou a oferecer R$ 10 mil e um relógio a cada um dos agentes da 9ª DP (Catete). De acordo com as investigações da distrital, ele, que estava hospedado no hotel e se apresentava como investidor, enganou e deu um prejuízo de pelo menos R$ 22 mil ao subtrair cartões de crédito e pedir transferências bancárias por PIX de duas mulheres. Com os valores, ele teria bebido e jantado em bares e em restaurante de luxo no Leblon, também na Zona Sul.

Ao GLOBO, uma das vítimas contou haver conhecido Matheus há cerca de um mês e ele teria insistido para que ela lhe repassasse R$ 10 mil para serem investidos em ações que lhe renderiam lucros dobrados. Após iniciar um relacionamento amoroso com a moça, o rapaz chegou a recebê-la em um quarto de um hotel de luxo, em Curitiba, decorado com pétalas de rosa e a programar viagens românticas, até que ela descobriu estar sendo lesada.

— Estou arrasada por confiar em uma pessoa que acredita na própria mentira. Nos conhecemos pelas redes sociais e tínhamos amigos em comum, saímos para festas e jantares, então pensei que ele realmente fosse uma boa pinta. Depois de alguns dias, ele começou a dizer estar apaixonado e a fazer programações, como planejar viagens e disse que iríamos até assistir a Copa do Mundo no Catar. Ele gosta de curtir a vida boa às custas dos outros e me fez uma lavagem cerebral — disse a empresária Brenda Gondacki, de 23 anos.

No depoimento prestado na delegacia por outra vítima, ela disse ter chegado ao Rio no dia 25 de novembro. Após conhecer Matheus por meio de um amigo em comum, manteve um relacionamento afetivo com ele. No dia seguinte, o rapaz pediu que a moça fizesse uma transferência bancária por PIX para comprar ingressos para uma festa, alegando que sua conta estava bloqueada. Em seguida, ao comprar um drink no bar do hotel, ele teria visto a senha digitada por ela na máquina.

Também na distrital, a mulher contou que, após tomar café da manhã no hotel no dia 1º de dezembro, foi avisada que Matheus teria ido embora do hotel e precisou pagar R$ 1 mil pelo consumo dele no local. Três dias depois, a vítima disse ter descoberto, pelas redes sociais, que outras mulheres haviam caído em golpe semelhante aplicado pelo rapaz e que ele agiria iludindo cada uma delas, as fazendo acreditar que efetuaria o pagamento dos que era devido.

Nas redes sociais, Matheus exibia uma rotina de viagens a destinos nacionais e internacionais de ostentação, como Trancoso, na Bahia; Balneário Camboriú, em Santa Catarina; Tulum, no México, e Maldivas. Na Polícia Civil de São Paulo, ele é investigado em pelo menos cinco inquéritos também por estelionato.

— Trata-se de um criminoso recorrente, que se aproveita da boa aparência para atrair mulheres e delas subtrair valores e informações bancárias. Assim, ele mantém uma rotina de luxo, que inclui produtos e serviços de alto padrão. Por isso, é importante que todos fiquem atentos para não manterem relações nem fornecerem dados pessoais a estranhos para que não se tornem novas vítimas de golpes semelhantes — alertou o delegado Felipe Santoro, titular da 9ª DP.