Golpistas depredaram liderança do PT e tentaram incendiar Câmara

***ARQUIVO***BRASÍLIA, DF, 08.01.2023 - Golpistas invadem a praça dos Três Poderes, em Brasília. (Foto: Gabriela Biló/Folhapress)
***ARQUIVO***BRASÍLIA, DF, 08.01.2023 - Golpistas invadem a praça dos Três Poderes, em Brasília. (Foto: Gabriela Biló/Folhapress)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS0 - Golpistas que invadiram o Congresso em 8 de janeiro tentaram incendiar o prédio principal e o plenário da Câmara dos Deputados, destruíram carros da Polícia Legislativa e também depredaram a liderança do PT, conforme mostram imagens divulgadas na noite desta segunda-feira (16) pela assessoria da Casa.

Foram encaminhados 13 vídeos com trechos da depredação realizada no prédio principal da Câmara. As imagens mostram os golpistas tentando invadir o plenário pouco após 16h de domingo, sendo contidos pelos agentes da Polícia Legislativa. Outro ângulo mostra os agentes protegendo o local e jogando granadas de gás lacrimogêneo para dispersar os vândalos.

Os vídeos mostram um manifestante quebrando a porta de vidro da liderança do PT na Câmara pouco depois das 17h20. Um homem inicialmente pega um extintor de incêndio para tentar destruir a entrada, mas só consegue quebrar o vidro com ajuda de um pé de cabra.

Há ainda registro de destruição de uma maquete representando o Congresso e um vídeo mostrando golpistas atacando dois carros da polícia legislativa. Outra gravação mostra um vândalo ateando fogo próximo à liderança do PSDB. O incêndio foi contido por agentes. Os golpistas também tentaram queimar o plenário da Câmara.

De acordo com a assessoria da Câmara, os invasores entoavam grito de guerra ao atacar o local. Muitos estavam preparados para atacar e se defender das forças de segurança e portavam rojão, estilingue com bolas de gude e facões, além de máscara antigás, capacete e escudo.

Os golpistas também sabiam manusear o extintor para dispersar o gás lacrimogêneo e tinham conhecimento de técnicas de rapel, que usaram para descer o jardim de inverno do Salão Verde.

Segundo a Câmara, cem policiais legislativos da Casa atuaram para conter a tentativa de golpe de 8 de janeiro. Além de granadas de gás lacrimogêneo, eles usaram spray de pimenta e táticas para conter os invasores. Oito agentes ficaram feridos --três foram hospitalizados.

A Polícia Legislativa da Câmara prendeu cinco pessoas, que foram interrogadas e encaminhadas para a penitenciária.

A maioria dos detidos no Salão Verde foi levada para o plenário do Senado Federal, segundo a assessoria da Câmara, onde foram autuados pelos agentes da Casa.

Nesta segunda, a PGR (Procuradoria-Geral da República) apresentou denúncia contra 39 pessoas suspeitas de envolvimento nos atos golpistas e de depredação no prédio do Senado Federal.

Na acusação apresentada ao STF (Supremo Tribunal Federal), o subprocurador-geral da República Carlos Frederico Santos afirma que os envolvidos "contribuindo uns com os outros para a obra criminosa coletiva comum, tentaram, com emprego de violência e grave ameaça, abolir o Estado democrático de Direito, impedindo ou restringindo o exercício dos poderes constitucionais".