Golpistas fazem atos em SP em frente a prédios militares e escutam gritos de 'Bolsonaro ladrão'

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Apoiadores golpistas do presidente Jair Bolsonaro (PL) fazem atos com pedido de golpe militar em diferentes pontos do país nesta quarta-feira (2). Eles cobram a ação das Forças Armadas para uma intervenção militar após a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições presidenciais.

Lula foi eleito pela terceira vez e assumirá um novo mandato em 1º de janeiro. Já Bolsonaro, que repetiu declarações golpistas ao longo de seu mandato, amargou uma inédita derrota de um presidente que disputava a reeleição no país.

Os atos golpistas desta quarta-feira têm o incentivo de Bolsonaro. No pronunciamento de terça-feira, ele criticou o processo eleitoral e disse que "manifestações pacíficas sempre serão bem-vindas". Ele apenas criticou os métodos usados por seus apoiadores no bloqueio de estradas pelo país.

Há manifestações em São Paulo, Brasília e no Rio de Janeiro. Na capital fluminense, por exemplo, os golpistas se concentram na praça Duque de Caxias, na região central da cidade.

Em São Paulo, manifestantes golpistas fecharam a avenida Alfredo Pujol, em Santana (zona norte), na manhã desta quarta-feira (2) em frente ao Centro de Preparação de Oficiais da Reserva do Exército.

O trânsito ficou bloqueado pela CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) no trecho entre as ruas Chemin Del Pra e Embaixador João Neves da Fontoura.

Em sua maioria formado por idosos e pessoas brancas de meia idade, os manifestantes se concentraram em um trecho bem menor de cerca de 50 metros, com placas de "Intervenção Já!" e gritos de "eu autorizo".

Nas conversas entre golpistas, eles definiam esta quarta-feira como o "dia D", criticavam o ministro Alexandre de Moraes, presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e esperavam uma reação dos militares. Um deles disse que, "se o Exército entrar, aí a gente vai todo dia para rua".

Enquanto a reportagem esteve no local, não ocorreu nenhuma interação por parte dos militares com os golpistas. O congestionamento na rua Alfredo Pujol foi grande, e os veículos foram desviados.

No fim da manhã, apoiadores de Bolsonaro começaram a circular de carro pelas ruas ao redor do Comando Militar do Sudeste, no bairro do Paraíso, na zona sul, agitando bandeiras e buzinando.

Muitos bolsonaristas também caminhavam a pé pelo bairro, em direção ao quartel do Exército.

Vestidos de verde e amarelo, os apoiadores do presidente gritavam "fora, Lula" e "Brasil". Moradores responderam ao buzinaço de suas janelas, gritando "Bolsonaro ladrão".