Google é alvo de novo processo antitruste nos EUA, o terceiro desde outubro

O Globo
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WASHINGTON – Uma coalizão de 38 estados americanos apresentou nesta quinta-feira um novo processo antitruste contra o Google, da Alphabet — o terceiro desde outubro —, acusando a empresa de manter seu monopólio sobre o mercado de buscas por meio de contratos e práticas anticompetitivas.

“Assim como nossa ação contra o Facebook, o processo de hoje deve enviar novamente uma mensagem clara ao Google e a todas as outras companhias: esforços para sufocar a competição, reduzir a inovação ou remover proteções à privacidade serão enfrentados com toda a força do meu escritório”, afirmou a procuradora-geral de Nova York, Letitia James, que coliderou a coalizão, em mensagem publicada em uma rede social.

Este é o terceiro processo antitruste aberto contra o Google nos EUA. O primeiro foi movido pelo Departamento de Justiça, junto com 11 estados, no dia 20 de outubro. Nesta quarta-feira, uma outra coalizão, com dez estados, questionou as práticas da companhia.

O processo desta quinta-feira acrescenta informações não detalhadas nos outros dois. Eles podem tramitar em separado, ou eventualmente serem reunidos num único caso, que deve levar anos até uma decisão final da Justiça.

“O Google se encontra num cruzamento de tantas áreas de nossa economia digital e tem usado sua dominância para ilegalmente esmagar os competidores, monitorar quase todos os aspectos de nossas vidas digitais e lucrar bilhões”, afirmou Letitia, em comunicado.

Os procuradores-gerais alegam que o Google manteve seu domínio sobre o mercado usando três estratégias principais. A primeira se baseia em contratos de exclusividade, usando seus recursos financeiros para limitar a possibilidade de consumidores optarem por serviços rivais.

“O Google paga a Apple entre US$ 8 bilhões e US$ 12 bilhões por ano para garantir que o Google seja instalado como serviço de busca padrão nos dispositivos Apple”, explica a promotoria de Nova York, em nota.

Outra prática considerada anticompetitiva pelos procuradores-gerais é a discriminação contra serviços de buscas especializados, como Expedia e Yelp, que são exibidos com pouco destaque nos resultados da ferramenta de busca do Google.

“O Google prioriza a seus próprios serviços de busca especializados no topo da tela dos usuários”, diz o comunicado, acrescentando que essa prática acontece porque “esses sites ameaçam a receita publicitária” da companhia.

Os procuradores também questionam o funcionamento da ferramenta de marketing Search Ads 360, que deveria ser “neutra”, mas “artificialmente encaminha os gastos publicitários” para o Google, “limitando a capacidade de serviços de buscas rivais (como o Bing) a competir pelos dólares da publicidade”.

“Por meio de condutas ilegais, a companhia garantiu que centenas de milhões de pessoas se voltem para o Google quando buscam por uma resposta, mas não façam uma busca na web para entender que o poder corporativo não deve ter controle desproporcional sobre nossos dados e informações”, diz o comunicado. “Por décadas, o Google serviu como porta de entrada para a internet e armou nossos dados para eliminar competidores e controlar nossas decisões — o que resultou em todos nós pagarmos mais pelos serviços que usamos diariamente”.

O processo pede à Justiça a suspensão das condutas consideradas ilegais pelos procuradores-gerais, e o restabelecimento da competição no mercado de buscas. Também pede a “neutralização de quaisquer vantagens que o Google obteve como resultado de sua conduta anticompetitiva, incluindo a alienação de ativos conforme apropriado”.