Google reafirma que não vai vender tecnologias de reconhecimento facial

Ares Saturno
Preocupada com questões éticas que envolvem o mau uso das tecnologias de reconhecimento facial, a Google reafirmou que ainda não comercializará produtos que possam levar a abusos e exclusão até que se desenvolvam mecanismos para garantir que as ferramentas sejam seguras

O vice-presidente sênior da Google, Kent Walker, afirmou que a empresa não venderá APIs de reconhecimento facial, ao menos por enquanto, preocupada com eventuais maus usos da tecnologia. A declaração consta nos últimos parágrafos de uma postagem no blog da Google sobre o uso de Inteligência Artificial beneficiando clínicas de saúde na Ásia.

Segundo a publicação, as ferramentas de reconhecimento facial podem trazer melhorias para as tecnologias assistivas e na busca por pessoas desaparecidas. "No entanto, assim como muitas tecnologias com múltiplos usos, o reconhecimento facial merece uma consideração cuidadosa para garantir que seu uso esteja alinhado com nossos princípios e valores e que se evite abusos e resultados prejudiciais. Continuamos a trabalhar com muitas organizações para identificar e abordar esses desafios e, ao contrário de outras empresas, o Google Cloud optou por não ofertar APIs de reconhecimento facial de finalidade geral antes de resolver importantes questões de tecnologia e políticas", afirmou Kent Walker na postagem.

O CEO da Google, Sundar Pichai, concedeu uma entrevista ao The Washington Post na última quarta-feira (12), na qual revelou preocupações crescentes em relação à ética aplicada às Inteligências Artificiais. Ele afirmou que acredita que as IAs podem se tornar potencialmente mais perigosas para a humanidade do que as armas nucleares. Há alguns anos, a preocupação com a exclusão social causada por perpetuação de preconceitos através de algoritmos vem preocupando a comunidade científica e os órgãos defensores da equidade e dos Direitos Humanos, sendo que até mesmo o Congresso estadunidense acompanha as discussões éticas sobre o assunto.

A União Estadunidense pelas Liberdades Civis (ACLU, na sigla em inglês) ficou satisfeita com a declaração da Google em não comercializar APIs de reconhecimento facial. A ONG geralmente chama atenção para procupações como a exclusão social causada pelas tecnologias inovadoras e prometeu ficar no pé da Google, pressionando-a para que "não se construam ou sejam vendidas ferramentas de vigilância facial que violem direitos civis e humanos", segundo a diretora de tecnologia da ACLU, Nicole Ozer. "Também renovamos nossos pedidos para que a Amazon e a Microsoft não forneçam vigilância perigosa para os governos. As empresas têm a responsabilidde de garantir que seus produtos não possam ser usados para atacar comunidades e prejudicar os direitos e liberdades civis — já passou da hora de todas as companhias assumirem essa resposabilidade", concluiu ela.

Fonte: Canaltech