Google vai apagar visitas a clínicas de aborto do histórico de usuários

Medida veio após preocupação privacidade dos usuários em meio a proibição do aborto (John Smith/VIEWpress via Getty Images)
Medida veio após preocupação privacidade dos usuários em meio a proibição do aborto (John Smith/VIEWpress via Getty Images)
  • Medida veio após preocupação privacidade dos usuários em meio a proibição do aborto;

  • Google recebe anualmente milhares de pedidos judiciais para compartilhamento de informações;

  • Visitas clínicas de cirurgia plástica, perda de peso, dependências e de fertilidade também serão apagadas.

Em meio ao contexto que a saúde sexual de mulheres em todo territorio dos Estados Unidos se encontra ameaçada, o Google anunciou que irá excluir automaticamente os históricos de localização dos seus usuários quando estes visitarem clínicas de aborto.

A revogação da decisão de Roe v. Wade retornou aos estados o poder de legislar sobre abortos. Com isso, treze estados já tinham as chamadas "trigger laws", ou "leis gatilho", que passariam a valer assim que a revogação acontecesse. Outros treze tem projetos de lei que devem ser aprovados para proibir o acesso ao aborto. Antes, em todos os EUA as mulheres tinham autonomia para interromper uma gravidez até o primeiro trimestre.

Não são só visitas a clínicas de aborto que serão deletadas. Centros de fertilidade, instalações de tratamento de dependências, clínicas de perda de peso e de cirurgia estética também serão excluídos dos históricos dos usuários.

Segundo a empresa, os usuários sempre tiveram a opção de editar seus históricos de localização por conta própria a partir de suas contas, mas o Google irá realizar isso proativamente para eles "como um nível adicional de proteção".

“Estamos comprometidos em fornecer proteções de privacidade robustas para as pessoas que usam nossos produtos e continuaremos procurando novas maneiras de fortalecer e melhorar essas proteções”, escreveu Jen Fitzpatrick, vice-presidente sênior do Google, na postagem do blog.

A medida vem em meio a preocupações de que esses dados possam ser utilizados por autoridades policiais ou políticas para condenar mulheres. “A principal ameaça digital para as pessoas que tomam pílulas abortivas é a evidência real da intenção armazenada em seu telefone, na forma de textos, e-mails e histórico de pesquisa/web”, aconselharam a advogada de tecnologia Kendra Albert, professora assistente Maggie Delano e a analista de políticas Emma Weil.

Dentre as dicas dadas pelas pesquisadoras estão utilizar softwares de troca de mensagens protegidos, como o Signal, e navegadores focados em privacidade, como o DuckDuckGo.

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