Google vai excluir histórico de localização de usuários após visitas a clínicas de aborto nos EUA

O Google anunciou nesta sexta-feira que vai excluir o histórico de localização de usuários após visitas a clínicas de aborto nos Estados Unidos. A medida foi estabelecida após a Suprema Corte derrubar a decisão que permitia o acesso ao aborto legal em todo o país, permitindo que o governo de cada estado decida se o procedimento pode ou não ser realizado.

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O Google também não armazenará dados da presença em abrigos para vítimas de violência domestica, clínicas de fertilidade, instalações para tratamento de vícios e clínicas de emagrecimento.

"Se nossos sistemas identificarem que alguém visitou um desses lugares, excluiremos essas entradas do histórico de localização logo após a visita. Esta mudança entrará em vigor nas próximas semanas", informou Jen Fitzpatrick, vice-presidente sênior do Google, em comunicado divulgado no blog da companhia.

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Ativistas e políticos solicitaram ao Google e a outros gigantes da tecnologia que limitem a quantidade de informações que coletam para evitar que sejam usadas pelas autoridades para investigações e processos sobre aborto.

Em maio, um grupo de legisladores democratas já havia enviado uma carta ao presidente-executivo do Google, Sundar Pichai, pedindo que a empresa parasse de coletar dados de localização de smartphones para que não se tornasse "uma ferramenta para extremistas que querem reprimir pessoas que procuram cuidados de saúde reprodutiva".

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Vários estados americanos conservadores já aprovaram leis que dão a população em geral o direito de processar médicos que realizam abortos e qualquer pessoa que ajude a facilitar o procedimento.

Fitzpatrick decidiu tranquilizar usuários no comunicado, ressaltando que a empresa "leva a sério a privacidade dos dados".

“O Google tem um longo histórico de adiar demandas excessivamente amplas da aplicação da lei, incluindo a objeção total a algumas delas. Levamos em consideração as expectativas de privacidade e segurança das pessoas que usam nossos produtos e notificamos as pessoas quando atendemos às exigências do governo", explicou.

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