Gordofobia, erro de grafia e abstinência sexual: governo Bolsonaro começa 2020 a todo vapor

Foto: REUTERS/Adriano Machado

A primeira semana “cheia” de 2020 seguiu o tom de 2019 no governo Bolsonaro. O presidente, em mais uma live polêmica, cometeu gordofobia ao alfinetar um desafeto. Abraham Weintraub, ministro da Educação, cometeu novo erro de português e virou alvo de piadas nas redes sociais e, por fim, Damares Alves, ministra da Família, disse ver abstinência sexual como uma "política pública em construção”.

Durante sua transmissão semanal no facebook, na última quinta-feira (09), Jair Bolsonaro sem citar o nome da deputada federal Joice Hasselman (PSL-SP) afirmou que uma deputada ‘fofucha” não está fazendo um bom trabalho porque, caso estivesse, “estaria mais magra".

Bolsonaro fez alusão a Hasselmann quando abordou o tema do "fundão eleitoral". O presidente recentemente indicou que sancionaria o projeto, impopular entre alguns de seus apoiadores, justificando que estaria sujeito a um processo de impeachment se não o fizesse. Hasselmann rebateu o presidente dizendo que a ameaça de impeachment era "mentira deslavada", acrescentando que se tratava de uma estratégia do presidente para desgastar o Congresso.

“Imprecionante”

Abraham Weintraub, ministro da Educação, é conhecido por se envolver em diversas polêmicas ao longo de sua gestão. Nessa semana, na quarta-feira (08), Weintraub foi agradecer um afago de Eduardo Bolsonaro, deputado federal, e acabou derrapando no português.

“Caro @BolsonaroSP, agradeço seu apoio. Mais imprecionante: Não havia a área de pesquisa em Segurança Pública. Agora, pesquisadores em mestrados, doutorados e pós doutorados poderão receber bolsas para pesquisar temas, como mencionado por ti, que gerem redução da criminalidade” (sic).

Vale lembrar que esse não é o primeiro deslize de Weintraub no uso correto da língua portuguesa. Além do erro de grafia, há que se destacar que o ministro alega que em governos anteriores não havia área de pesquisa em Segurança Pública, fato que não procede.

Abstinência é política pública?

Diante da repercussão provocada pela informação de que o Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos incluiu a abstinência sexual como política pública para sexo seguro e prevenção da gravidez na adolescência, a pasta da ministra Damares Alves divulgou uma nota na sexta-feira (10) em que defende a medida, confirma a formulação de uma política pública focada na abstinência e diz ser impossível, por ora, fazer uma "previsão de quanto deve ser gasto e de quais ações serão realizadas".

Além da pasta de Damares, o Ministério da Saúde tem trabalho na formulação de políticas voltadas à abstinência sexual. O órgão acabou com a caderneta da saúde do adolescente, um programa elogiado pela Sociedade Brasileira de Pediatria e que distribuiu 32 milhões de cadernetas em unidades básicas de saúde em dez anos, com informações sobre puberdade, sexo seguro e prevenção da gravidez. Um ofício de julho mostra a descontinuidade do programa, dois meses depois de o presidente Jair Bolsonaro criticar a caderneta.