Governador Claudio Castro anuncia coordenação fluminense para compra de vacinas

Lucas Altino
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RIO — Com municípios e estados brasileiros acelerando a corrida por compra de vacinas, enquanto a aquisição pelo Ministério da Saúde permanece em ritmo lento, o governador do Rio Claudio Castro anunciou nesta sexta a união entre os municípios fluminenses e o governo estadual em prol da aquisição de imunizantes e unificação do calendário de vacinação. A ideia é que o governo centralize negociações com laboratórios, através das secretarias de Saúde e da Casa Civil, mas ainda não há qualquer definição concreta sobre compra. No estado, cidades como Duque de Caxias e Maricá já anunciaram negociações próprias.

O primeiro passo, então, foi dado no plano das intenções. Nesta sexta, o governador Claudio Castro recebeu diversos prefeitos, especialmente da Região Metropolitana, para tratar dessa união, além das novas medidas restritivas estaduais. Prefeitos que estiveram na reunião elogiaram a iniciativa de propor uma coordenação fluminense. Ainda assim, a prefeitura de Maricá afirmou ao GLOBO que pretende continuar suas negociações pela compra de 400 mil doses da vacina Sputnik, apesar de se colocar à disposição de ajudar o estado numa nova compra.

— Alguns municípios que inclusive já tinham anunciado compras, democratizaram seus contatos. Como foi o caso Maricá, que disse que vai colocar seu fornecedor para que a gente possa comprar como estado — afirmou o governador Claudio Castro, na coletiva.

Apesar disso, o governador, que desde o início de sua gestão se manteve aliado ao governo federal, evitou entrar em rota de colisão com Jair Bolsonaro. Ele afirmou que seguirá aguardando o Ministério da Saúde e o Plano Nacional de Imunização (PNI) e não garantiu que compras de vacina serão de fato executadas.

— Seguimos esperando e ouvindo o Ministério da Saúde. Mas, com o novo decreto do presidente (na verdade lei federal 534/2021 sancionada nesta quinta e que permite compra de vacinas por municípios, estados e setor privado) há consenso que precisamos fazer nossa parte. Mas só gastaremos dinheiro (com vacina) se for necessário).

O novo consórcio fluminense também vai agir para padronizar o calendário de vacinação no estado. O objetivo é evitar o que acontece hoje, em que cidades oferecem vacinas para faixas etárias diferentes ao mesmo tempo, o que resulta em migrações. Esse pleito, inclusive, é um desejo da prefeitura do Rio.

— Teve-se a ideia, até pela dicotomia que estamos tendo hoje e pelas diferenças dos calendários, para que a gente trabalhe com calendário único de vacinação no nosso estado — afirmou o governador.

Nesta sexta, após interromper mais uma vez seu calendário de vacinação, a Secretaria municipal de Saúde do Rio afirmou que cerca de 42 mil pessoas de fora da capital foram vacinadas em postos de saúde cariocas. A migração, explicou o secretário Daniel Soranz, não é ilegal. Mas a prefeitura deseja, agora, que a distribuição de vacinas seja revista, para que o Rio receba mais doses, como compensação.

Segundo o governador Claudio Castro, esse ajuste na distribuição pode acontecer, mas somente se houver consenso.

— A gente tem respeitado o que diz a PNI, com nenhuma discricionariedade na quantidade de vacina distribuida. Se eu e prefeito percebermos essa questão, como no caso do Amazonas em que os governadores concordaram com envio de remessa maior, será uma visão negociada. Mas não vai ser nem prefeito do maior ou do menor município que vai chegar diretamente aqui e mudar regra federal, que temos seguido religiosamente.

Apesar do governador afirmar que as tratativas por compra de vacina passarão a ser centralizadas pelo governo estadual, a prefeitura de Maricá respondeu ao GLOBO que não abrirá mão das suas negociaçoes ja em curso, mas se coloca à disposição do estado na ajuda para novas compras.

O município negocia a compra de 400 mil doses da vacina Sputnik V. Para isso, se incorporou à iniciativa do Consórcio Nordeste. As tratativas são individuais, de acordo com a demanda apresentada, mas conduzidas e alinhadas com o consórcio, explicou a prefeitura, em nota, que não revelou o valor do contrato.

Maricá possui cerca de 200 mil habitantes, segundo a prefeitura, o que justifica a quantidade de 400 mil imunizantes. Mas, de acordo com o IBGE, a cidade não chega a ter 140 mil habitantes. De acordo com a prefeitura, essa discrepância ocorre porque, durante a pandemia, muitas pessoas teriam se mudado para suas casas de veraneio na cidade, aumentando a população atual e a demanda por vacinas.

Por isso, a prefeitura reclama da quantidade de imunizantes que vem recebendo — até aqui já foram 9 mil — pelo governo estadual, que se baseia no censo populacional do IBGE. A Secretaria Municipal de Saúde de Maricá diz que já solicitou, mais de uma vez, a revisão e atualização desse critério ao estado.

Na reunião com o governador, o prefeito Fabiano Horta (PT) se pronunciou a favor da decisão de Castro de buscar uma coordenação fluminense.

— A gente tem visto o quanto o Brasil tem padecido muito pela falta de um eixo central que direcione nossas ações. Aí nós prefeitos ficamos agindo, com nossas necessidades — afirmou Horta, que se referiu não só à coordenação por vacina, mas também no decreto de medidas restritivas em conjunto.

Outra prefeitura que iniciou negociações por compra de vacina foi Duque de Caxias. O prefeito Washington Reis anunciou a disponibilização de R$ 50 milhões para a compra direta de um milhão de doses da vacina contra a Covid, mas não especificou qual seria o fornecedor. Em sua fala, ele citou conversas com "a AstraZeneca, com os chineses, com a Johnson e Johnson, com os russos".