Turquia chama Áustria e Holanda de racistas por impedirem campanha eleitoral

Istambul, 21 abr (EFE).- O ministro de Relações Europeias da Turquia, Ömer Çelik, rotulou neste sábado de "racistas" os governos de Áustria e Holanda por não permitirem que políticos turcos façam campanha para as eleições antecipadas de 24 de junho para seus cidadãos que vivem nesses países.

"Os Países Baixos imitaram a Áustria, anunciando que não permitirão comícios nem discursos eleitorais para o pleito de 24 de junho para nossos cidadãos que vivem lá. Por um lado, bloqueiam o exercício dos direitos democráticos mais fundamentais e, por outro, argumentam que 'na Turquia há um desenvolvimento negativo em termos democráticos'", escreveu Çelik no Twitter.

"Com essa postura, Áustria e Holanda só envenenam os valores democráticos em seus próprios territórios. Contribuem para o florescimento de movimentos políticos racistas, que também são hostis aos valores da União Europeia", prosseguiu o ministro.

"É óbvio que os primeiros-ministros de Áustria e Holanda não pensam em valores democráticos quando tomam tais decisões. Simplesmente estão acenando para movimentos políticos xenofóbicos e racistas", acrescentou o ministro.

A Turquia convocou ontem, de forma surpreendente, eleições parlamentares e presidenciais para 24 de junho, antecipando o pleito em quase um ano e meio em relação à data prevista.

Os analistas afirmam que a manobra, anunciada pelo presidente Recep Tayyip Erdogan na quarta-feira e votada ontem no parlamento, pegou a oposição de surpresa, pois o grupo sequer tem um candidato para chefe de Estado.

Durante a campanha pelo referendo presidencialista de abril do ano passado, a Holanda impediu um discurso eleitoral de uma ministra turca, desencadeando um conflito diplomático que ainda não foi resolvido.

A polícia dispersou manifestações de cidadãos turcos residentes na Holanda contrários à decisão, e as imagens da repressão com agentes montados a cavalo e cães policiais foram motivo de vários discursos de Erdogan para denunciar o "fascismo" da Europa. EFE