Governador Paulo Dantas é reeleito em Alagoas

MACEIÓ, AL (FOLHAPRESS) - O atual governador de Alagoas, Paulo Dantas (MDB), 43, conseguiu a reeleição para o comando do estado neste segundo turno após superar o senador Rodrigo Cunha (União Brasil), 41.

Com 100% das urnas apuradas, Dantas obteve 52,33% dos votos válidos, enquanto Cunha conseguiu 47,67%, segundo o TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

A eleição alagoana ficou marcada pela operação da Polícia Federal contra Dantas, que chegou a ser afastado do governo do estado pelo STJ (Superior Tribunal de Justiça) até o fim deste ano. A decisão foi revogada pelo STF (Supremo Tribunal Federal) na última segunda-feira (24).

Como o afastamento foi determinado entre o primeiro e o segundo turno das eleições —e Paulo Dantas concorreu à reeleição—, os ministros destacaram que o Judiciário deve evitar decisões que interfiram na disputa eleitoral.

Os dois candidatos tiveram apoios diferentes. Dantas contava com o suporte do ex-presidente Lula (PT), do senador Renan Calheiros e de Renan Filho (ambos do MDB), eleito ao senado nesta eleição.

Neste segundo turno, o candidato derrotado na disputa ao governo e ex-prefeito de Maceió Rui Palmeira (PSD) também se aliou a Dantas.

Enquanto isso, Cunha tinha o suporte do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP), e do prefeito de Maceió, João Henrique Caldas (PL), que deixou o seu antigo partido (PSD) para apoiar Jair Bolsonaro (PL) na disputa contra Lula neste segundo turno.

Maceió foi a única capital do Nordeste em que Bolsonaro venceu seu adversário durante o primeiro turno.

Cunha, porém, diferentemente de seus apoiadores, declarou neutralidade em relação à disputa presidencial, fato que foi explorado pela campanha de Dantas durante o pleito. Em 2018, Cunha já havia se declarado neutro no segundo turno à Presidência do Brasil. Na ocasião, ele disse que não se sentia representado por nenhuma das candidaturas.

Paulo Dantas é acusado de organização criminosa e lavagem de dinheiro em suposto esquema de desvios na Assembleia Legislativa de Alagoas. Conforme os autos, o esquema teria começado em 2019, quando o governador era deputado estadual.

Ele é suspeito de ser um dos beneficiários de salários recebidos por servidores fantasmas que estariam sendo desviados por meio de saques, segundo a apuração. Em nota, Dantas declarou que uma ala da PF permitiu ser aparelhada para atender interesses políticos e eleitorais.

"Sob pretexto de investigar acusações de 2017, essa parte da PF pediu à Justiça o meu afastamento do cargo, a três semanas do segundo turno, e estando com 20 pontos de vantagem. A tentativa de criar alarde perto da confirmação da vitória é fácil de ser desconstruída: foi anunciada por adversários, evidenciando a manipulação da operação policial."

A operação, inclusive, foi o que mais chamou atenção durante a campanha eleitoral do segundo turno, sendo utilizada por Rodrigo Cunha nos debates. No período, Lula visitou Maceió e declarou que estava com Dantas, apesar de ter sido aconselhado a não fazer a visita.

O ex-presidente declarou, ainda, que enxergava no processo de Dantas semelhanças com o seu próprio, na intenção de tirá-lo da disputa pelo cargo.

"Não sou advogado, não vou me meter. Mas posso dizer a você que, na minha opinião, todo mundo é inocente até que se prove o contrário. Essa condenação precipitada sua me cheira a minha condenação. Por que eu fui condenado? Exatamente para evitar que eu fosse candidato em 2018. Quem é que tem interesse de evitar que você seja candidato? Alguém", afirmou, na ocasião.

Paulo Suruagy do Amaral Dantas é formado em Administração de Empresas pelo Centro Universitário Cesmac e atuou como prefeito do município de Batalha por dois mandatos, além de ter sido deputado estadual até vencer a eleição indireta para o governo de Alagoas após Renan Filho se licenciar do cargo para disputar o senado.