Governador peruano tem prisão preventiva decretada por caso Odebrecht

Sede da Odebrecht em São Paulo

A justiça peruana ordenou neste sábado a prisão preventiva por 18 meses do governador da região de Callao, Félix Moreno, acusado de ter recebido um suposto suborno de 4 milhões de dólares da empresa brasileira Odebrecht para ganhar uma licitação viária no Peru.

A sentença foi lida durante uma extensa audiência de 12 horas do Terceiro Tribunal de Investigação Preparatória, ao fim da qual o governador Moreno foi detido pela polícia.

Moreno, integrante do movimento político Chimpún Callao, é acusado dos crimes de tráfico de influência e lavagem de dinheiro pela concessão à Odebrecht da licitação de uma via rápida de seis faixas de cinco quilômetros às margens da baía de Lima. Este trecho unirá Lima a Callao, região vizinha.

Segundo o procurador anticorrupção Hamilton Castro, existem elementos que envolvem diretamente o governador Moreno na decisão de conceder a licitação pública à Odebrecht.

Entre as provas, foi mencionado o testemunho de um co-acusado, o empresário israelense Gil Shavit, que decidiu colaborar com a justiça em troca de benefícios judiciais, como uma menor pena.

Shavit foi detido na semana passada "pela polícia anticorrupção no aeroporto Jorge Chávez quando tentava sair do país", disse à AFP uma fonte da Direção de Informação da Polícia.

Com Moreno, são cinco os funcionários e ex-funcionários peruanos enviados à prisão preventiva pela procuradoria no âmbito das investigações pela participação da Odebrecht em obras públicas entre 2005 e 2014.

Quatro ex-funcionários pertenceram ao governo de Alan García (2006-2011) e foram detidos por supostamente receber um suborno de sete milhões de dólares em troca de favorecer a Odebrecht com a obra da Linha 1 do metrô de Lima.

O próprio Alan García é investigado por supostas irregularidades nesta concessão.

O ex-presidente Alejandro Toledo (2001-2006) é o funcionário de mais alto escalão envolvido no escândalo de corrupção da Odebrecht no Peru. Toledo é acusado pela procuradoria de ter recebido um suborno de 20 milhões de dólares para conceder à empresa brasileira a concessão da construção da entrada interoceânica, entre Brasil e Peru, inaugurada em 2006.

Um juiz pediu prisão preventiva de 18 meses para Toledo, que vive na Califórnia, nos Estados Unidos, onde trabalha como pesquisador na Universidade de Stanford. O Peru trabalha na sua extradição há mais de um mês.

A Odebrecht, envolvida em casos de corrupção em vários países latino-americanos, afirmou ter pago 29 milhões de dólares no Peru em troca de obras públicas entre 2005 e 2014 durante os governos de Toledo (2001-2006), Alan García e Ollanta Humala (2011-2016).