Governador do Rio, Cláudio Castro se articula para tentar reeleição em 2022

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De olho na reeleição, o governador do Rio, Cláudio Castro (PL), atraiu 16 partidos para o governo, distribuindo cargos em secretarias, subsecretarias e institutos. Segundo suas próprias contas, uma coligação formada por estas legendas garantiria 65% do tempo de propaganda eleitoral em rádio e TV e permitiria a ele se desgarrar do presidente Jair Bolsonaro, se posicionando como um nome de centro.

A mudança de planos na estratégia política foi traçada no último mês, quando pesquisas internas apontaram que a associação direta a Bolsonaro o faria perder votos — a reprovação ao presidente atingiu 51%, segundo o Datafolha, um recorde. Desde então, aliados do governador trabalham para associar a sua imagem a prefeitos e secretários de partidos do Centrão, em uma série de agendas e inaugurações pelo interior do estado, possibilitadas pelo dinheiro adquirido com o leilão da Cedae.

Neste reposicionamento, Castro sonha com o apoio do prefeito da capital, Eduardo Paes (PSD), que já abriu diálogo com Marcelo Freixo (PSB), apontado como seu principal adversário. Um aliado do governador resume a equação: “há o dinheiro da Cedae à disposição, os cargos no governo e um tempo acachapante de TB”.

No primeiro escalão do governo, por exemplo, estão nomes como o secretário de Saúde, Alexandre Chieppe, indicado pelo PP, e de Vinicius Farah, do MDB, que ocupa a pasta do Desenvolvimento Econômico. Há cargos para representantes de Republicanos, ligado à bancada evangélica, DEM, PSL, PL, PSC, Avante, PROS , Patriotas, Solidariedade, PMN, PRTB, PTB, Podemose PSDB. Coadjuvante na “corrida de governadores” pela vacinação contra a Covid-19, Castro viu Paes assumir nos últimos meses o protagonismo da campanha de imunização.

Afastados enquanto Castro tentava se aproximar de Bolsonaro, os dois voltaram a se aproximar desde o leilão da Cedae, que garantiu à prefeitura da capital algo em torno de R$ 2,4 bilhões neste ano. Para pessoas ligadas a Castro, uma eventual eleição de Freixo em 2022 inviabilizaria a possibilidade de Paes se candidatar ao posto em 2026. Por isso, a aposta é que o prefeito fique neutro nas eleições do ano que vem para contar com um eventual apoio de Castro à frente. Uma fonte próxima ao governador diz que os “diálogos” nesta direção já estão em andamento.

Na última semana, em debate sobre infraestrutura realizado pela Fecomércio-RJ, Paes elogiou Castro pela condução da licitação dos serviços de saneamento. Dias antes, o prefeito havia recebido Freixo para reunião, na qual a constituição de uma frente única de candidaturas foi debatida.

A pouco mais de um ano das eleições, um número ainda incomoda os aliados de Castro: para a maioria do eleitorado, o governador ainda é desconhecido. Para isto, os R$ 7,6 bilhões relativos ao leilão da Cedae, que serão destinados às prefeituras do estado, servirão como trunfo. Na última semana, Castro iniciou uma série de agendas, nas quais vai distribuir cheques aos prefeitos destas cidades. Não por acaso, a cidade de Maricá, considerada o epicentro do petismo fluminense, foi escolhida para iniciar esta “turnê pop”.

Castro pretende iniciar obras e inaugurar projetos em 88 cidades até o ano que vem. O “Pacto RJ” prevê 17 bilhões em investimentos, em um pacote que inclui projetos de mobilidade urbana, como o metrô de superfície da Baixada e o corredor expresso de São Gonçalo. O interior do estado também será contemplado com obras de infraestrutura e moradias populares.

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