Governador de Roraima diz que comparecerá à CPI sem habeas corpus porque não tem nada a esconder

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***FOTO DE ARQUIVO*** BOA VISTA, RR, BRASIL 08.01.2019  - Antonio Denarium (PSL), governador eleito de Roraima, durante entrevista para a Folha em seu gabinete. Denarium, que teve o apoio de Jair Bolsonaro (PSL), alcançou 53,34% dos votos válidos no segundo turno da eleição de 2018 (Foto: Avener Prado/Folhapress)
***FOTO DE ARQUIVO*** BOA VISTA, RR, BRASIL 08.01.2019 - Antonio Denarium (PSL), governador eleito de Roraima, durante entrevista para a Folha em seu gabinete. Denarium, que teve o apoio de Jair Bolsonaro (PSL), alcançou 53,34% dos votos válidos no segundo turno da eleição de 2018 (Foto: Avener Prado/Folhapress)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Um dos nove governadores convocados a depor na CPI da Covid, Antonio Denarium (sem partido), de Roraima, diz que falará aos senadores sem pedir habeas corpus por não ter nada a esconder.

Recentemente, o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello e a secretária da pasta Mayra Pinheiro compareceram à comissão protegidos por habeas corpus. Assim como eles, Denarium é apoiador de Jair Bolsonaro.

Todas as administrações dos governadores convocados foram alvos de operações da Polícia Federal para apurar suspeitas de irregularidades com as verbas federais no combate à pandemia.

O governo de Roraima foi investigado na operação Desvid-19, que ganhou forte repercussão ao flagrar dinheiro escondido dentro da cueca do senador Chico Rodrigues (DEM-RR), então vice-líder do governo Jair Bolsonaro no Senado.

"Vou comparecer. Acho muito bom fazer a investigação sobre qualquer tipo de desvio de dinheiro público. Esse mal tem que ser combatido no Brasil", afirma Denarium à coluna Painel, da Folha de S.Paulo.

"Não vou pedir [habeas corpus], não. Vou numa boa, não tenho nada a esconder, estou tranquilo. Inclusive, quando tive a denúncia de compras irregulares de respiradores no estado, em abril de 2020, logo denunciei à Procuradoria-Geral do estado, à Controladoria-Geral, que fizeram levantamentos e havia irregularidades", completa o governador.

A Desvid-19 tinha como objeto suposto esquema criminoso em Roraima para desviar recursos públicos do combate à Covid-19 por meio do direcionamento de licitações. À época, o prejuízo com a fraude foi estimado em R$ 20 milhões, devido a contratações supostamente superfaturadas para aquisição de equipamentos de EPI e de testes rápidos para detecção de Covid-19.

"Fizeram compras irregulares sem o meu conhecimento. Naquele dia, exonerei o secretário de Saúde e mais nove servidores. E também denunciei à PF, ao Ministério Público. Entrei com ação judicial para bloquear a conta e os bens da empresa que recebeu antecipadamente. Em setembro do ano passado, o dinheiro da compra dos respiradores, R$ 6 milhões, já havia sido devolvido para o estado", afirma Denarium.

Relatório da PF à época apontou que Chico Rodrigues teria "forte influência" no governo de Roraima. Denarium nega.

"Não procede. Temos apoio dos três senadores do estado e também de seis deputados federais. Inclusive, fiquei muito surpreso quando a PF falou que R$ 20 milhões haviam sido desviados da Saúde. Não é verdadeira essa informação. Até hoje não recebi qualquer tipo de notificação para explicar esse desvio de R$ 20 milhões", diz Denarium.

"Estranhei a situação [operação da PF]. Até hoje nada foi comprovado, foram informações que não tinham documento comprobatório. Da minha parte, achei muito estranha uma ação daquela que não houve resultado ainda", completa.

O governador de Roraima elogia a atuação dos senadores na CPI até o momento, mas ressalta que a comissão não pode ser alvo de contaminação política.

"Pode ter um outro que pode tirar promoção política, mas acho louvável a CPI. Ela foi feita justamente para investigar qualquer tipo de irregularidade", conclui Denarium.

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