Governadores aliados de Bolsonaro mandam PM atuar em bloqueios nas estradas e criticam restrições ao ir e vir

Governadores aliados do presidente Jair Bolsonaro (PL) determinaram que as polícias militares atuem para desbloquear as estradas interditadas pelas manifestações pós-eleição. Nos estados mais populosos do país, Rodrigo Garcia (PSDB), em São Paulo, Romeu Zema (Novo), em Minas Gerais, e Cláudio Castro (PL), no Rio de Janeiro — três dos políticos que apoiaram o atual chefe do Executivo no segundo turno —, condenaram também as restrições ao ir e vir da população. Posições semelhantes quanto aos protestos foram expressas por mandatários como Carlos Moisés (Republicanos), em Santa Catarina, Ratinho Júnior (PSD), no Paraná, e Ibaneis Rocha (MDB), no Distrito Federal, todos que pediram votos para Bolsonaro na corrida eleitoral.

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Em São Paulo, Garcia afirmou que o "bloqueio de estradas é inadmissível" e que "as pessoas têm o direito de ir e vir". Um gabinete de crise no estado coordena as ações para liberar as rodovias. Em Minas, um dos nomes que os bolsonaristas apostaram para tentar virar votos a favor do presidente no segundo turno, Romeu Zema lembrou que "a eleição acabou" e que era preciso cumprir a lei.

— Já solicitei às nossas Forças de Segurança que tomem as medidas necessárias para desobstruir qualquer via ou estrada que esteja interditada por manifestações. A eleição acabou e, agora, temos que assegurar o direito de todos de ir e vir, e também que as mercadorias cheguem onde precisa para não haver desabastecimento. Vamos cumprir a lei — afirmou o governador mineiro num vídeo publicado em suas redes sociais.

Já no Rio de Janeiro, Castro determinou que o Batalhão de Choque da Polícia Militar (BPChoque) atuasse para liberar as vias. Em nota, ele disse que "o direito de ir e vir das pessoas não pode ser usurpado, e a população não deve ser prejudicada". Segundo o governo fluminense, o BPChoque apóia a Polícia Rodoviária Federal (PRF), "dando prioridade ao diálogo para o cumprimento da ordem legal". Além disso, o estado ressaltou que, desde segunda-feira, a Polícia Militar agia em 33 pontos de bloqueio em todo o Rio.

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Em decisão desta terça-feira, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), havia reforçado que as polícias militares estaduais podiam desobstruir, inclusive, estradas federais ocupadas pelas manifestantes. Só nas rodovias federais, a PRF identificava que, por volta das 16h20 desta terça-feira, havia 235 pontos de interdição parcial ou bloqueio total. Só em Santa Catarina, estado com mais trechos fechados, eram 37 bloqueios.

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O governador catarinense, Carlos Moisés, usou as redes sociais para afirmar que “todos os meios legais e necessários serão empregados para garantir o livre trânsito de pessoas e veículos”. Apoiador de Bolsonaro e que integra o Republicanos, partido da base do presidente, Moisés disse ainda que “as forças de segurança estão atuando para desbloquear todos os pontos de interdição das rodovias”.

“Garantia do direito de livre manifestação deve conviver com a garantia da liberdade de ir e vir da população, em atendimento às necessidades básicas e a oferta de serviços aos cidadãos”, publicou o governador.

Já no vizinho Paraná, o governador reeleito Ratinho Júnior afirmou que "as eleições de 2022 ocorreram de maneira democrática, e a decisão soberana das urnas precisa ser respeitada". Em nota, ele informou que a Polícia Militar do estado está cumprindo a decisão do STF de desbloqueio das rodovias federais, estaduais e dos trechos urbanos.

"O direito de livre circulação no território nacional é uma garantia do povo brasileiro. É momento de pacificar o Brasil", escreveu.

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No Distrito Federal, Ibaneis Rocha afirmou no Twitter que as forças de segurança locais estavam autorizadas a usar "todos os meios legais para resolver o problema e garantir o direito da maioria".

"O resultado das urnas deve ser respeitado e o bloqueio das vias públicas é ilegal", postou ele.

Ainda no Centro-Oeste, em Goiás, comandado pelo governador reeleito Ronaldo Caiado (União), outro aliado de Bolsonaro, o governo afirmou em nota que o comando das ações para liberação das vias é da Secretaria de Segurança Pública, que discute o plano de operação e seus desdobramentos junto com o Ministério Público Estadual (MPE-GO) e o Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJ-GO). As forças goianas devem agir, primeiro, nas estradas estaduais, onde há 19 pontos de ocupação por manifestantes.

"O Governo de Goiás esclarece que a operação busca cumprir a decisão judicial de forma pacífica, priorizando o diálogo com os manifestantes", afirma em nota.

Mandatários não aliados condenam bloqueios

Já nos estados em que os governadores não são apoiadores de Bolsonaro, há declarações de repúdio à contestação do resultado das urnas. No Rio Grande do Sul, o governador Ranolfo Vieira Júnior (PSDB) sobrevoou na tarde desta terça-feira as rodovias bloqueadas no estado. Ele instalou um gabinete de crise e determinou que todos os esforços sejam feitos para garantir o direito de ir e vir das pessoas.

"Sobre os bloqueios ilegais que ocorrem nas estradas do RS, minha ordem às forças de segurança estaduais é para agir e efetuar os desbloqueios de forma imediata, conforme indica a lei. Não vamos permitir que essa situação permaneça e prejudique o povo gaúcho", escreveu. "A democracia precisa ser respeitada", acrescentou em outra publicação.

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O governador eleito do estado, Eduardo Leite (PSDB), também se manifestou.

"Democracia é o regime em que se perde eleições. Quem perde vai para a oposição e pode voltar ao poder daqui a quatro anos, pela força do voto - e não pela força física. Quem quer o bem do Brasil quer estabilidade e respeito à manifestação feita pelo povo nas urnas".

No Maranhão, o governador reeleito Carlos Brandão (PSB) disse que não permitirá "desrespeito com o processo democrático". Ele foi um dos primeiros governadores a se manifestar, ainda nesta segunda-feira, dizendo que "a interdição de rodovias em protestos à derrota nas urnas prejudica deslocamentos urgentes" e que o "Brasil já manifestou democraticamente o que deseja para os próximos 4 anos, e agora é hora de união, em prol de um futuro melhor".

Já no vizinho Pará, o governador reeleito Helder Barbalho (MDB) anunciou que o "estado usará todos os recursos ao seu alcance para garantir a lei e ordem".