Governadores cobram de Bolsonaro medidas econômicas urgentes contra coronavírus

Silvia Amorim e Ana Carolina Torres

RIO e SÃO PAULO — Governadores voltaram a cobrar nesta quinta-feira medidas do governo federal na área econômica para conter os impactos da pandemia do novo coronavírus nos estados. O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), disse esperar essas medidas nas próximas 72 horas. Na contramão do que tem defendido o presidente Jair Bolsonaro, o governo paulista não descartou um endurecimento das medidas de restrição, entre elas, o chamado lockdown. Já o governador do Rio, Wilson Witzel (PSC), afirmou que não conseguirá manter as medidas protetivas no estado para conter a doença caso não cheguem recursos até a próxima segunda-feira.

Doria cobrou medidas da gestão Bolsonaro, principalmente para São Paulo, epicentro da crise.

— Quero crer que ao longo de 72 horas essas medidas serão materializadas principalmente para São Paulo, que é o epicentro da crise. Essa foi a promessa do presidente Bolsonaro e da área econômica —afirmou

Em mais uma referência indireta ao presidente disse:

— Podemos acerta e errar. Só não podemos minimizar problemas.

Doria anunciou o repasse de R$ 218 milhões a 80 municípios do estado com mais de 100 mil habitantes para ajudar no combate ao coronavírus. O plano é que eles funcionem como referência médico-hospitalar durante a pandemia.

Segundo o governador, o recurso estadual começará a ser liberado em 3 de abril e destinado exclusivamente ao combate da Covid-19. A capital paulista terá um plano diferenciado a ser anunciado nesta sexta-feira. Demais municípios menores serão atendidos mais adiante, segundo o governador.

No dia anterior, Doria anunciou o repasse de uma bolsa-merenda para cerca de 700 mil alunos da rede estadual para um reforço de alimentação enquanto estiverem sem aula. O auxílio será de R$ 55 por mês até o retorno do funcionamento das escolas. O pagamento é prometido para começar em abril.

Witzel disse que não conseguirá manter as medidas protetivas para postergar a sobrecarga nos hospitais caso o governo federal não dê recursos e citou "caos financeiro" ao se referir a esse quadro.

— Nós estamos fazendo a nossa parte. Mas volto a dizer: se o governo federal até segunda-feira não apresentar algo que dê esperança para que as pessoas possam saber que não vão morrer de fome e não vão ter um cataclisma nas suas vidas, vai ser muito difícil continuar com essas medidas protetivas — afirmou o governador.

E frisou que a situação de alguns estados, incluindo o Rio, já era ruim antes da crise. Witzel disse que o cenário fluminense é "tão delicado quanto a de empresários que estão passando por essa crise":

— Quem tem que irrigar a economia é o governo federal, que tem condições para isso. Se (a União) não se mexer, vamos entrar em caos financeiro. Não podemos manter a economia parada se o governo federal não se mexer.