Governadores cobram cumprimento de critérios prioritários do Plano Nacional de Imunização

RAQUEL LOPES E DANIELLE BRANT
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BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Na primeira reunião com o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), após a criação do comitê nacional contra Covid-19, governadores cobraram que todos os estados sigam os critérios de vacinação prioritária do PNI (Plano Nacional de Imunização). Estiveram presentes na reunião desta sexta-feira (26) os governadores de todos os estados e do Distrito Federal, exceto os de São Paulo, Sergipe e Tocantins, que foram representados pelos vice-governadores. As reclamações ocorreram após o estado de São Paulo anunciar que vai vacinar, a partir de abril, professores e policiais, que estão no grupo prioritário do PNI, mas estão atrás de outros grupos, como pessoas com comorbidades. Outras unidades da federação também estão adiantando a vacinação desse grupo, como o Distrito Federal e o Espírito Santo. Segundo relatos, o governador de Minas, Romeu Zema (Novo), afirmou que esses grupos não poderiam ser vacinados antes e que alguns estados não poderiam começar a vacinar policiais e professores, enquanto outros não receberam vacinas. Os governadores também querem que o Ministério da Saúde avalie e apresente cronograma de entrega de vacinas aos estados com estratégia para alcançar 1 milhão de vacinados com primeira dose por dia e, depois, aumentar esse patamar para 2 milhões de vacinados com primeira dose por dia. Houve críticas à política externa do chanceler Ernesto Araújo, com defesa de um alinhamento internacional mais efetivo para melhorar o acesso a insumos e vacinas. Durante a semana, Pacheco e o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), criticaram o chanceler Ernesto Araújo, considerado um dos principais responsáveis por fracassos de ações de combate ao coronavírus. Na reunião, também houve reclamação dos ataques do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) aos governadores. Na semana passada, ele entrou com ação de inconstitucionalidade junto ao STF (Supremo Tribunal Federal) para impedir estados de adotarem medidas de restrição. O comitê nacional foi anunciado na última quarta-feira (24) por Bolsonaro, após uma reunião com ministros, Pacheco, Lira e o presidente do STF, Luiz Fux. A princípio, o grupo será formado por Bolsonaro, pela cúpula do Legislativo e por um representante do CNJ (Conselho Nacional de Justiça). A princípio, os governadores e prefeitos foram excluídos do comitê -a interlocução das demandas dos Executivos estaduais e municipais será feita por Pacheco. Wellington Dias (PT-PI), governador do Piauí, cobrou a presença de prefeitos e governadores dentro do comitê. "Dissemos da importância de que nesse comitê nacional tenha a presença de estados e municípios. Não é razoável sem a presença de estados e municípios." Afirmou ainda que os governadores pediram agenda com a ONU (Organização das Nações Unidas), OMS (Organização Mundial da Saúde) e OPAS (Organização Pan-Americana da Saúde) para adquirir mais vacinas. Além disso, irão conversar com o Reino Unido, Índia, China e a Rússia. "Também acompanhando aqui o Congresso Nacional junto à Anvisa, o Ministério da Saúde para mais celeridade, mais autorização." O governador avaliou que essa foi uma importante agenda e aproveitou para falar da preocupação da condição de habilitar, manter os leitos e também sobre a falta dos insumos. O governador do Espírito Santo, Renato Casagrande (PSB-ES), disse que houve muita crítica ao comitê criado porque não teve a presença de governadores e prefeitos. "É importante que todos os entes pudessem participar porque os governadores que operam na base, nos leitos". Disse ainda que foi registrado incômodo com o comportamento do presidente Jair Bolsonaro em relação à pandemia e as relações diplomáticas que atrapalharam a importação do insumo farmacêutico para a produção da vacina contra a Covid-19. Além disso, os governadores mostraram preocupação com o orçamento para saúde, que ficou bem menor que no ano passado.