Governadores do Nordeste criticam restrições da Anvisa para aplicação da Sputnik V

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A Uniao Quimica pharmaceutical employee holds a vial at the company's control center for the Russian Sputnik V COVID-19 vaccine in Guarulhos in the greater Sao Paulo area of Brazil, Thursday, May 20, 2021. The Sputnik V vaccine still hasn't been approved for use in Brazil, which prompted local partner Uniao Quimica to begin exports throughout Latin America. (AP Photo/Andre Penner)
Foto: AP Photo/Andre Penner
  • Regra estabelecida diz que apenas 1% da população pode receber o imunizante

  • Há outras restrições, como idade

  • Governantes estão debatendo próximos passos

Após a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizar, em caráter excepcional e temporário, a importação da vacina Sputnik V e da Coavaxin, na última sexta-feira (4), alguns governadores do Nordeste tiveram críticas a fazer. Os governantes reclamam do limite imposto pela Anvisa de só poder aplicar o imunizante em até 1% dos habitantes.

Os governadores se reuniram de maneira virtual no sábado (5) para discutir a imunização. Os estados da região que solicitaram a importação da vacina russa foram Bahia, Maranhão, Sergipe, Ceará, Pernambuco e Piauí.

A autorização veio após um veto da vacina pela Anvisa em abril, alegando falta de informações sobre eficácia, segurança e qualidade. Os estados recorreram da decisão. Na nova avaliação, a diretoria colegiada da agência permitiu a aplicação do imunizante no país, mas com restrições. Com base no voto do relator Alex Machado Campos, da Diretoria 5 da Anvisa, apenas 1% do público-alvo das campanhas de vacinação pode receber a Sputnik V – e o mesmo vale para a vacina indiana, a Coavaxin.

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Com base nesta regra, a Bahia pode importar o maior número de doses, de 300 mil; seguida por Pernambuco,192 mil doses; Ceará, 183 mil doses; Maranhão, 141 mil doses; Piauí, 66 mil doses; e Sergipe, 46 mil doses.

Rui Costa (PT), governador pela Bahia, comemorou a permissão em sua conta do Twitter, mas criticou a limitação.

"É apenas o início, mas depois de muita luta conseguimos aprovação para importar e aplicar a Sputnik V. A quantidade autorizada pela Anvisa está muito abaixo da real necessidade. Agora, é batalhar para fazer chegar logo o que foi aprovado e vacinar nosso povo. Vacina salva vidas”, escreveu.

Já o governado do Piauí, Wellington Dias (PT), que preside o Consórcio Nordeste, também usou as redes sociais para se pronunciar.

"Ainda que com uma pequena quantidade de doses liberadas, a aprovação da nossa agência reguladora destaca que a vacina é segura e eficaz".

A vacina, no entanto, ainda não teve o uso emergencial ou registro aprovado pela Anvisa. Ela foi permitida com uma série de restrições para “mitigar riscos”. Dentre elas, está que apenas adultos entre 18 e 60 anos, sem comorbidades podem receber o imunizante. Ficam de fora grávidas, puérperas e mulheres que desejam engravidar nos próximos 12 meses. Novas avaliações podem reprovar a Sputnik V, o que fará a Anvisa paralisar a avaliação.

O Consórcio Nordeste e o Consórcio da Amazônia Legal se reuniram para tratar da vacinação e da importação.

"Nós temos lutado há muitos meses para que a vacinação avance rapidamente", disse o governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB). De acordo com Dino, seu Estado possui 4,5 milhões de doses compradas do imunizante. "Os governadores conversaram sobre os próximos passos, visando à execução desses contratos.".

Já Paulo Câmara (PSB), governador de Pernambuco, disse que "acelerar o ritmo da imunização é urgente. Estamos analisando todos os aspectos relevantes para que a utilização de mais esse imunizante nos ajude a ampliar a vacinação da nossa população com segurança, eficácia e obedecendo todos os protocolos sanitários. Vacinas salvam vidas."

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