Governadores pedem ajuda a enviado dos EUA Kerry por ações no Brasil contra mudança climática

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Fumaça de incêndio na Floresta Amazônica perto de Porto Velho

Por Jake Spring

BRASÍLIA (Reuters) - Governadores de sete Estados brasileiros se reuniram com o enviado especial do Estados Unidos para o clima, John Kerry, nesta sexta-feira, na primeira de uma série de reuniões com potências estrangeiras, sem a presença do governo federal, para solicitar verbas para projetos ambientais com o intuito de combater as mudanças climáticas.

O governo do presidente Jair Bolsonaro enfraqueceu a fiscalização ambiental e incentivou o desenvolvimento econômico em áreas de preservação, contribuindo para um aumento de desmatamento e de incêndios florestais na Amazônia e em outros biomas considerados cruciais para conter o aquecimento global.

Os sete chefes de Executivos estaduais da aliança Governadores pelo Clima apresentaram uma lista de projetos a Kerry em uma reunião virtual, de acordo com declarações dos governadores após o encontro.

A reunião acontece depois que 23 governadores do país enviaram uma carta ao presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, em abril, sinalizando um desejo em cooperar em iniciativas sustentáveis diante da "emergência climática".

Os projetos poderiam ser executados em um período entre 2 e 6 anos e podem gerar mais de 150 mil empregos "verdes", embora o total de investimentos necessário ainda precise ser determinado, segundo afirmou o governador do Espírito Santo, Renato Casagrande, em nota. Os projetos são espalhados pelo território brasileiro, e não apenas restritos à região amazônica.

O governador do Maranhão, Flávio Dino, que representou os Estados amazônicos na reunião, disse à Reuters que solicitou apoio para o Plano de Recuperação Verde (PRV) da região, anunciado neste mês. O plano busca conter o desmatamento e promover o desenvolvimento sustentável.

"Claro que o papel dos Estados aumenta à medida que o governo federal não exerce o seu papel," disse Dino. "O Brasil ficar nessa posição de supostamente vilão ambiental ou um território amigável para crimes ambientais não é bom para ninguém".

O Palácio do Planalto não respondeu de imediato a um pedido por comentários sobre o assunto.

Dino disse que Kerry foi amigável durante a reunião, mesmo ao expressar preocupações sobre o aumento contínuo do desmatamento em 2021 na Amazônia.

Um representante de Kerry não respondeu a um pedido por comentários.

Casagrande disse em uma transmissão online após o encontro com Kerry que os governadores iriam agora fazer reuniões de níveis técnicos com a equipe de Kerry sobre possíveis colaborações.

A coalizão Governadores pelo Clima também quer se reunir com representantes da China, União Europeia e de outras organizações internacionais, de acordo com o governo capixaba.

(Reportagem adicional de Eduardo Simões, em São Paulo, e Valerie Volcovici, em Washington)

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