Governadores que fizeram campanha para Bolsonaro fazem acenos a Lula

Após terem trabalhado no segundo turno pela reeleição de Jair Bolsonaro (PL) e integrarem campo político oposto ao de Lula, ao menos 11 governadores eleitos já adotaram discurso de cooperação e trabalho conjunto com o próximo governo federal. Todos refutam qualquer tipo questionamento ao resultado eleitoral e, em alguns casos, telefonaram para dar parabéns ao petista, contra quem trabalharam em seus estados.

Entre todos os 14 governadores eleitos que apoiaram Bolsonaro nas eleições, até a noite de ontem apenas Cláudio Castro (RJ), Marcos Rocha (RO) e Jorginho Mello (SC) não haviam feito ainda um aceno a Lula. O governador do Rio, porém, fez diversas vezes durante a campanha acenos a Lula, de olho numa relação amistosa se os dois saíssem vencedores.

Mesmo os que tinham mais proximidade com Jair Bolsonaro, tendo integrado seu governo, ou que assumiram postos-chave no segundo turno da disputa presidencial já abriram portas a Lula. Historicamente, governadores e prefeitos buscam manter boa relação com o Palácio do Planalto porque seus governos são dependenter do repasse de recursos federais

Governador reeleito em Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), que coordenou a campanha de Bolsonaro no estado, se manifestou no Twitter desejando sucesso ao presidente eleito. Ele também se disse “aberto ao diálogo” com Lula. Ex-ministro da Infraestrutura de Bolsonaro, Tarcísio de Freitas (Republicanos) falou em “alinhamento” com o governo federal após ter sido eleito em São Paulo. No Paraná, Ratinho Jr. (PSD) era um dos governadores mais próximo ao presidente. No Twitter, ele se posicionou logo após o resultado. “Hoje o povo brasileiro se manifestou. Agora é hora de continuar trabalhando juntos por um Brasil unido e em paz. Pra frente, Paraná. Pra frente, Brasil”, postou ele. Ratinho Jr. trabalhou pela reeleição de Jair Bolsonaro, reuniu prefeitos e foi votar com a camisa da seleção brasileira.

Governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União) parabenizou Lula pela vitória e disse que “venceu o desejo soberano do povo”. Gladson Cameli (PP), que venceu a disputa no Acre, foi na mesma linha e emitiu uma nota na qual diz estar pronto para trabalhar em “harmonia”.

Aliado de primeira hora de Bolsonaro, o governador do Amazonas, Wilson Lima (União), disse que vai continuar apoiando o candidato derrotado por Lula, mas que pretende conversar com o novo presidente.

— Eu sigo aliado do presidente Jair Bolsonaro, mas fui eleito governador do estado do Amazonas. Para defender o estado do Amazonas eu não tenho dificuldade de conversar com quem quer que seja. Todo mundo sabe que eu sou governador do diálogo, principalmente se tratando dos interesses do povo do Amazonas — garantiu.

Pronunciamentos similares fizeram os vencedores no Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel (PSDB), e no Mato Grosso, Mauro Mendes (União). Vencedor em Roraima, Antonio Denarium (PP) desejou “paz e sabedoria” a Lula. Na mesma linha foi Wanderlei Barbosa (Republicanos), eleito pelo Tocantins. Reeleito pelo Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), que se alinhou a Bolsonaro no segundo turno, também recorreu às redes sociais para reconhecer a vitória de Lula. “Fim das disputas político-partidárias. Desejo sorte, ao mesmo tempo em que me coloco à disposição para trabalhar ao lado do Lula”.