Governo ainda vai analisar impacto fiscal de mudanças na reforma e Temer rejeita ideia de recuo

BRASÍLIA (Reuters) - O presidente Michel Temer afirmou nesta quinta-feira que o governo ainda vai analisar o impacto fiscal das mudanças propostas na reforma da Previdência e negou, com irritação, que tenha recuado da proposta inicial, mais dura.

Em entrevista no Itamaraty, depois de almoço com os reis da Suécia, Temer confirmou que chamou nesta manhã o relator da reforma, Arthur Oliveira Maia (PPS-BA), e o presidente da Comissão, Carlos Marun (PMDB-MS), para discutir mudanças na reforma.

"O problema central é o problema da idade, a questão do trabalhador rural, eu recebi muitas observações e nos sensibilizamos por isso", disse Temer. "Da mesma maneira o Benefício de Prestação Continuado, vimos logo que seria inadequado que eles não tivessem o que tem hoje."

"Então autorizei o relator a fazer as negociações que fossem necessárias e depois nós anunciaremos perante o Congresso Nacional o que foi ajustado", acrescentou. "Vai levar uns dias ainda, mas já está autorizado."

Nos últimos dias o governo admitiu que não teria condições de aprovar a reforma nos termos iniciais, mesmo com a pressão do Palácio do Planalto sobre a base, e passou a admitir a negociação de pontos antes considerados imutáveis, como a transição entre os dois regimes de Previdência.

Questionado sobre se as mudanças não eram um recuo que passaria uma imagem ruim ao mercado, Temer demonstrou irritação.

"Vamos aprender uma coisa: prestar obediência ao que o Congresso Nacional sugere, o Congresso Nacional que é o centro das aspirações populares, não pode ser considerado um recuo. Nós estamos trabalhando conjugadamente", disse o presidente.

(Reportagem de Lisandra Paraguassu; Edição de Alexandre Caverni)