Câmara do Rio rejeita pedido para abrir processo de impeachment de Crivella

Rio de Janeiro, 12 jul (EFE).- A Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro rejeitou nesta quinta-feira o pedido para a abertura de um processo de impeachment contra o prefeito Marcelo Crivella por supostamente conceder privilégios aos evangélicos durante uma reunião.

Os vereadores do Rio interromperam hoje seu recesso e realizaram uma sessão extraordinária para discutir se aceitavam ou não para trâmite o processo de impeachment de Crivella, mas o pedido foi finalmente rejeitado por 29 votos a 16.

O pedido de impeachment foi apresentado depois que Crivella, ex-bispo da Igreja Universal do Reino de Deus, prometeu supostos favores a fiéis de igrejas evangélicas.

A votação na Câmara, que amanhã retomará o recesso, esteve acompanhada por manifestações tanto a favor como contra o prefeito, o que provocou alguns momentos de tensão nas portas do Palácio Pedro Ernesto.

Paralelamente ao pedido de impeachment, o Ministério Público do Rio abriu na noite de ontem um processo judicial contra Crivella no qual lhe acusa de violar o artigo 19 da Constituição que garante a liberdade religiosa, por utilizar seu cargo para conceder supostos benefícios a fiéis de igrejas evangélicas.

No documento, o MP acusa o prefeito carioca de utilizar o espaço público da cidade e de "extrapolar os limites do razoável, usando sua estrutura para propagar seu credo, e com isso, aumentar seu capital eleitoral", fazendo alusão à reunião secreta que teve com líderes religiosos evangélicos no último dia 4 de julho.

Neste encontro, que contou com a presença de pastores e líderes evangélicos, além de dois pré-candidatos do seu partido, o PRB, Crivella ofereceu aos membros da comunidade religiosa benefícios do sistema público de saúde tais como facilidades para realizar cirurgias de catarata, varizes ou vasectomia.

"Temos que aproveitar que Deus nos deu a oportunidade de estar na prefeitura para esses processos andarem", afirmou Crivella durante a reunião.

Além deste encontro, o Ministério Público investiga também o episódio conhecido como "Censo religioso da Guarda Municipal", pelo qual funcionários da corporação supostamente foram orientados a preencher um questionário que incluía perguntas sobre sua orientação religiosa.

Na sua ação, o MP pede ao prefeito que deixe de usar o organismo público em defesa de interesses pessoais ou do seu grupo religioso, assim como que não mantenha qualquer relação de aliança ou dependência com nenhuma entidade religiosa. EFE